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26/07/2012




 Você se cansa de me encantar nas noites mais longas, acho que a quentura que exala de ti atinge a tua nuca e te faz perder-se bem ali, na minha presença. De vez em quando teu sorriso gruda nos teus olhos e deixa a noite mais límpida.
Nunca chove quando você tá aqui comigo, nunca faz frio quando você tá perto, não tem tempestade enquanto você ri. E eu continuo a existir sem temer a vida enquanto eu ainda souber que te tenho, enquanto eu ainda souber que teu amor puro e feroz existe. 
E eu ainda continuo aqui após todas as noites, contigo.


Direto do meu tumblr : Diário Errante .
Beijo pessoas, saudade...

02/05/2012

Only.

O tempo tremula em meus dedos, os olhos coçam e eu borro meu rímel, esqueci de tirá-lo. As veias visíveis na minha pele branca denuncia a vida em mim. Estico os dedos, olho pro esmalte azul em minhas unhas e penso, repenso, trepenso. Parece que cada detalhe te chama pra mim, parece que cada coisa simples, mínima, eu te vejo em mim. 
E em todas essas sombras e luzes que me surgem. Você está aqui.
E aqui.
E aqui…

05/04/2012

E cabe aqui.



 Em que tempo e espaço ficou perdida a chance de sermos apenas nós mesmos? A palavra brinca na minha boca. A coragem bate na minha cara. O desperdício ri alto de mim. E eu tô sendo dramática. Tô sendo pessimista. Tô sendo egoísta... E mais ainda, tô sendo 'não minha'.
 O tempo brinca comigo, essa coisa de enjoar rápido anda me testando. O telefone celular anda muito parado. E nem aqueles sms's bobos de todo dia eu ando recebendo. E eu tô prestando atenção nas coisas mudarem. Eu tô vendo meu reflexo no espelho melhorar. Meu sorriso aumentar. E toda a força de vontade me vencer.
 Em que esquina ficou parada a minha ousadia de voar? Em que bolsa ficou meus sonhos? E em que mãos eu estou?
 Suas.
 E tão tua.
 E eu não paro de dramatizar.

15/03/2012

My sucker


O mundo dá voltas, todos dizem, e eu aprendi isso inteiramente, cruamente, vivamente. As pessoas passam por nós, em toda nossa vida, de repente, como um fantasma, e em outro dia, aparecem de uma vez, de rompante, roubando cenas e pensamentos.
 E foi assim, dessa maneira, que me aconteceu. Pontapés no meio do caminho, lágrimas, era o que eu tinha, era o que eu era, uma eterna sonhadora, amante da vida e do silêncio. Aquela pessoa que te conquista só com um olhar, só da maneira que te faz rir, foi o que consegui em um aperto de mão em que minha pulseira deixou marcas.
 Eu fui feliz, alegre, tive apoio, coragem e consegui dizer o meu primeiro 'eu te amo'. Eu tinha alguém em quem podia confiar, eu tinha alguém que me ajudou a cicatrizar o coração, mas também ajudou a quebrá-lo. A gente sempre procura alguém em quem culpar, não? E foi o que eu fiz, culpei-o. Anos se passaram, provavelmente uns três, ele ainda permanecia do meu lado, me ajudando, me escutando, só que começou a exigir muito mais de mim e começou a me magoar.
 Eu era feliz com ele do lado. E tentei por tanto tempo relevar tudo aquilo que a presença física dele me causava. Dor. Raiva. Decepção. Eu tive um irmão, na verdade, um irmão que me protegia, mas que se tornou expert em mentiras. Se tornou o maior mentiroso que eu conheço até hoje. Cada dia se passava, eu me afastei, recuei, coração partido, tentando me consertar, foi nesses dois anos seguintes que me perdi pelo caminho.
 Eu tinha alguém em que eu podia me segurar, mas essa pessoa simplesmente me deixou ir. E se tornou tudo aquilo que jamais disse que seria. Era amor, um amor simples, sem ser de amantes, era amor verdadeiro, irmandade, e se perdeu...
 A gente aprende com essas passagens na vida, de pessoas especiais, de pessoas únicas. Que nos ensinam, nos fazem se tornar mais forte. Mas eu não sei se ele me deixou forte, porque às vezes, eu ainda choro a noite e eu não tenho mais ele do lado para me ouvir.
 Mas eu aprendi uma coisa, o mundo dá voltas e a gravidade tem sua vez no lado emocional também, tudo que sobe, desce/vai, volta. Eu tive minha cota, talvez ele tenha a dele, mas apesar de tudo, não guardo rancor no peito, e no dia que ele vier me procurar, ainda estarei aqui para escutá-lo.
 Meu idiota, imbecil, mentiroso, mas a pessoa que me ama, que me ensinou a amar e a acreditar em mim mesma.

29/02/2012

Desencana

As pálpebras pesavam, era como se a espera fosse se imortalizar, o buraco na parede da sala dava para ver o outro lado da rua. Os dentes estavam sem ser escovados há dias. As roupas espalhadas, o calor consumindo, cabelo sujo, peças de baixo amarradas em lugares inapropriados. Então alguém bate a porta, parecia até impossível, alguém, no meio da noite, precisamente às dez da noite, bater aquela porta amarela no meio de uma rua deserta. Kimberly se empertigou no sofá e percebeu que estava nua. Sua preguiça era tanta que seus passos demoraram a chegar até suas peças de roupa.
- JÁ VAI. - Kimberly grita, denunciado sua "vida". Dá uma espiada pelo olho mágico. Veste-se rapidamente e abre a porta.
- Já não era sem tempo. Kimberly, só vim deixar algumas cartas que chegaram por engano na minha casa, estão endereçadas com seu nome. E, hum, trouxe um pouco de pizza pra você, caso queira. - Keira, era sua vizinha *bitch* , Kim percebeu o olhar de desdém que ela dava ao perceber a bagunça que estava a casa dela. - Bom, era isso. É...tenha uma boa noite.
 No momento em que fechou a porta, pôs-se a tirar as roupas novamente. Comeu um pedaço de pizza, mas largou-o logo em seguida. Eca, é de calabresa. Cheirou as cartas e percebeu que elas foram coladas recentemente. Keira havia espiado suas correspondências.
 Kimberly olha no espelho e percebe olheiras enormes, lábios ressequidos e algumas espinhas surgindo em sua testa. Suspira e volta para o sofá.

 Passaram-se dias desde aquela noite fatídica. Hoje, Kimberly come uma pizza ( de mussarela ) e debruçada sob as cobertas de sua cama, com os dentes escovados, cabelos limpos e um novo corte, ensaia sua fala para a conversa de amanhã... Thimoty vem para a cidade.

 As cartas foram novamente enviadas. As respostas foram esperadas. Os ensaios foram feitos... Mas o roteiro não saiu como queria...
- Kim, eu não recebi nenhuma carta sua. E, além do mais, eu me mudei... como poderia eu ter te respondido? - Kim é pega de surpresa, enfia sua cara em uma máscara imaginária e trepensa uma maneira de reverter a situação.
- Ora, mas assim Thimoty, independente disso, você poderia ter me enviado alguma carta, não sei, talvez dizendo como ia a vida, pois sei bem que meu endereço ainda permanece na sua agenda. Que, inclusive, é esta em cima da mesa.
- Kim... eu estou noivo. Você entende isso? Nosso romance, se é que posso chamar disso, acabou no momento em que fui embora. - ele suspira, olha em volta e pega as mãos de Kim nas suas. - Eu quero que seja feliz e que... não que me esqueça completamente, mas que me apague um pouco dos teus dias. Você precisa disso. - dizendo isso, levanta-se, contorna a mesa, dá um beijo no alto da testa de Kim e se vai.
 Às vezes, ensaiar o diálogo, o desenrolar, o desfecho e tudo mais não é uma boa. Nunca é.

 Talvez dez anos haviam se passado. Kim estava presa naquela casa de porta amarela, com sua vizinha chata, com um emprego que era a única escapatória da realidade e um namorado fudido.
 Numa tarde dessas, na volta do horário do almoço do trabalho, Kim esbarra em ombros conhecidos.
- Thimoty. - olhos turvos e escuros pararam em seus dedos... sem nenhum anel.
-Kimberly. Como você...
- Ainda espero resposta. - Sai sozinho as palavras sem comando. Kim está com as mãos sobre os lábios, prendendo tudo, os olhos esbugalhados.
- Acho que tua vida tá muito melhor sem a minha. Além do mais, a gente ainda se encontra por aí de novo. Estou de volta. - Estou de volta. Estou de volta. Estou de volta.
- Thim, não tem mais aquele buraco na sala. Talvez eu termine com meu namorado stupid e, e, aaaah, eu não sei. Só sei que te quero ainda.
- Kim... a gente conversa depois sobre o nós. - O beijo estalado na boca, fez com que ela acordasse um pouco. Um pouco pra vida... Ali estava sua resposta.
 Talvez os acasos sejam bem melhores que os planos. Talvez o tempo seja bem melhor que a insistência implicante. Talvez o amor verdadeiro seja bem melhor que o fascínio temporário. Talvez a eterna espera, seja a única coisa que sobra numa vida perdida. Talvez não... é.

05/01/2012

New year. The same shit.



 Deixo as armas no chão para começar a falar do ano que se passou e do ano que teima e tenta se iniciar. Não por querer metralhar alguns bocados de acontecimentos, mas para não atirar na pessoa que fez questão de inventar isso de "ano novo, vida nova", quem você acha que é? Alguém que simplesmente vai apagar tudo e recomeçar de novo, como se nada tivesse acontecido? Pois bem, eu digo uma coisa, não é assim, não mesmo.
 Dois mil e onze. Apenas um número, dentro de detalhes incríveis, de emoções, de conhecimento e de alguma forma descoberta ( ou seria melhor redescoberta? ) de si mesma ou da visão no espelho de forma diferente.
 Pessoalmente, foi um dos anos mais construtivos pra mim. Perdi, ganhei, perdoei, me magoei, sorri, ri, bebi, fiz milhares de besteiras, corri, cheguei em casa no outro dia de manhã com os lábios inchados, falei besteira, escrevi besteira, chorei, beijei, amei, deixei de lado coisas e como sempre, desisti de algo, de alguém, de alguma coisa. 
 Na minha concepção o verbo estar ou deixar ser, sempre fica comigo a qualquer momento. Claro que eu crio metas, situações, tenho sonhos e esperanças. Mas eu deixo as coisas seguirem seu curso, e para esse ano vou fazer a mesma coisa. Ou seja, eu espero muito mais de mim, mas se eu não conseguir, bem o jeito é deixar como estar, ou esperar.
 Conquistas? Bem, eu me conquistei. Pra esse ano? Como eu vou saber?
 Viver a vida é melhor do que ficar esperando que ela aconteça, pois ela simplesmente é, por si só.
 Eu continuo a mesma, com as mesmas lembranças, com lembranças mais novas, querendo mais. E que este ano, não seja só mais um número, mas a continuação do que já está sendo a minha vida.
 Novo ano, mesma merda, não, mesma vida de uma forma diferente... Eu acho.

09/12/2011

Desilusão

 Deram-me um tapa na cara. Disseram-me que foi você que pagou pra aquele cara me fazer isso. É feio, você sabe que é feio homem bater em mulher.
 - Desilusões, amor. Desilusões. - alguém balbucia.
 Bufo, reviro os olhos e te procuro. Que merda cara, o copo de Smirnoff Ice ao meu lado não é nada comparado ao litro de wisky que você carrega na mochila que está nas tuas costas. Eu conheço bem teu cabelo. Desgrenhado. Percebo ao longe, vejo tuas mãos na cintura de outra garota. Idiota.
 - Quero ver se você tem atitude, se vai encarar. - sussurro. Amarro meu cabelo para o alto e empurro cada um que está ao meu alcance e vou ao seu encalço.
 - Você deve ser um cara covarde, não tem coragem de bater na minha cara e manda outra pessoa bater. Além do mais, você é um homem ou um menino? Metendo a mão numa garota dessas. - Olho pra garota de franja roxa. Ela arregala os olhos e os cerra rapidamente. Sorrio.
 - Eu não quero falar com você Layla. Você não merece nem a fumaça que sai do cigarro que trago. E além do mais, aquele cara fez isso na sua cara de graça. Ele tinha uns assuntos pendentes com você, ao que parece.
 - Engraçado. Eu penso, de que valeu tudo aquilo então, porque você não admite que me ama. Não tem coragem? Até parece que você tem algum pingo de atitude. - calo-me, percebendo a sua mão ao alto. Mirando meus olhos. Sorrio novamente.
 - Porra Layla. Que merda. Merda. Merda. Por que você faz isso comigo? - Ricardo solta a mão da garota e afaga minha bochecha, ainda se encontrava vermelha. - O que você quer de mim?
 - Eu só quero que você tenha coragem de me encarar, olhar nos meus olhos e dizer tudo. Não seja grosseiro, não seja covarde. Assuma. - eu digo, aproximando-me.
 - Então garota, conseguiu. Eu amo você. E não importa o que eu faça, não consigo marcar nenhum local que seja do teu corpo, preciso machucar meu coração de vez em quando. Feliz?
 - Não muito garoto, não muito. - admito, e o enlaço em um abraço. E penso "desilusão, amor, são desilusões."

07/10/2011

Tentando.

 Uma noite de verão qualquer.

  Despeço-me dos teus cabelos encaracolados, das noites em claro e dos afagos nas bochechas. Despeço-me das tuas lembranças em mim e de tudo que você é em mim... Mas nem tudo que acaba tem final, não é? Não é desse jeito que você escreve nas mensagens que me envia?
 Murilo, eu deveria estar na praia agora, enrolando a saia nos dedos, como de costume, no lual, mas eu estou aqui, sentada na varanda, vendo as nuvens voarem, escrevendo a ti um sinal para você seguir. Sem mim.
 As vidas seguem, a minha seguiu, mesmo que tenha doído no começo sem ti, eu consegui. Você faz ideia do quanto isso é difícil? Como eu te disse, na maioria das vezes só o amor não é suficiente. Existe outras coisas querido. E eu quero que você aprenda que, esses anos que se passaram foram o fim. Acabou.
 E desta vez despeço-me dá tua frenética onda de ciúmes que me entupiam as veias de raiva, despeço-me do  teu egocentrismo e da tua tirania. Mas além de tudo, despeço-me da parte em mim que ficou em ti.
 Só que no fim desta carta eu tenho que concordar contigo. Nosso fim ainda não chegou, só está no modo pause, por muito tempo.
 Viva bem, cuide bem, e retire-me da parte que atrapalha tua vida, assim como fiz. Assim como tento.



20/09/2011

Eu não sei. Eu não sinto. Sinto. Sinto vazio.



 Sentir. Deitar e sentir. Você sabe o que é isso? Essa dor que bate no peito e fica. A vontade de não sair da cama de manhã. E de noite, deitar e ficar lá, sem conseguir dormir, as pupilas dilatadas, mas lágrimas não enchem os olhos, somente o vazio, o não querer.
 Sentir. Será que eu sei o que é isso? Será que eu sinto algo no peito? Será? Então eu penso, os lençóis sabem mais de mim do que eu mesma, pois eles sentem meu corpo toda noite, vê meus sonhos, ouve minha respiração contida. E a rotina me consome, levantar e olhar no espelho a expressão vazia, o sorriso apagado, os olhos fundos como se não dormisse à dias, mas que passou quase dez horas dormindo...ou seria oca?
 Olha eu, deitada, calada, sentindo. Será que eu sei mesmo o que é isso? Não sei, não sei... Como vou saber se sei, como vou saber se sinto?  O peito pesa. Os lábios se comprimem. Será que sei?
 E então lembranças vem. Eu sinto sua falta. Acho que isso é sentir...

09/09/2011

Tente

 Eu sei lá sabe, mas dá uma dor de barriga olhar pra ele, sorrindo desse jeito,vendo as nuvens se aproximarem. E os pés no asfalto, a cara amassada, as mãos suadas. Eu sei lá sabe, mas me dói ver ele aqui, do meu lado e não poder tocá-lo. E não tocá-lo da forma que eu queria. E essa dor que não passa. E tudo que fica.
- Eu gosto de como as nuvens ficam quando está próximo de uma tempestade.
- Eu gosto de você.
...
Eu fui, falei e pronto. Saiu. E a chuva veio. E a rua inundou meu peito. Ele tá martelando sabe. Ele tá batendo feito um condenado.
- Eu-eu vou pra casa. - Ele tem boas pernas pra corrida, sempre teve. A chuva parece deixá-lo passar. Mas eu, eu fico ali, banhando-me, doendo-me.
- Você não vem? - ele grita longe, o som das gotas tampando minha visão, minha audição. Como eu escutei aquilo mesmo? - Você não vem? - ele sussurra, no meu ouvido, minha barriga dói daquela maneira e os olhos dele parecem me queimar. Que inferno. Que seja.
- O que foi? - eu pergunto, esperando, encarando. Ele sorri aproximando-se.
- Eu gosto de você também. - E tudo para. 
Tudo.

06/09/2011

Desde o começo já era fim

- Vou te escrever carta e não mandar.
- Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
- Vou ver Saturno e me lembrar de você.
- Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
- O tempo não existe.
- O tempo existe, sim, e devora.

      - CFA



 Olá querido ótario. Como vai a vida sem mim? Como vai a vida sem você?
 Eu queria te explicar uma coisa, aquilo que você chamava que eu tinha...como era mesmo? Ah, dependência. Eu queria poder dizer a você que, aquilo nem sequer existiu, talvez da tua parte, pois no momento em que eu parti, eu soube dos teus pedaços no chão da sala, presos em copos de vinho e naquele cigarro que eu tanto odiava.
 Você disse que não pertencia a ninguém, mas nem percebeu quando não conseguia dormir sem ouvir o meu boa noite. Nem percebeu que teus braços viviam se agarrando aos meus, como um vício, que eu gostava. Eu adorava, eu te amava. E o tempo passou...
 É de noite lá fora, chove forte e eu sinto o cheiro que o vento trás. Parece você na minha porta e o coração aperta.Dependência, isso é uma palavra feia sabia? Querido ótario, onde você está?
 Esta carta não vai chegar, não tem endereço para ir, não tem coração para entrar. Onde você está?
 Dependência, depender, depende, pende, de perder, argh. Eu perdi. Você sabe que perdi neste jogo, entre as cartas jogadas no tapete deste quarto está as que você me devolveu, como se isso fosse fazer alguma diferença. Nostalgia. Já era tudo aqui dentro do peito. A dor se esvaiu. Não depende de você, nunca dependi de você, você era meu ponto seguro nessa linha, você foi a pessoa que segurou meus braços para não cair de cara no chão na volta dos shows. Eu te amei por isso. E não te amo mais querido ótario.
 E isso se chama independência e o tempo corre para os dois.
 Adeus.

23/08/2011

I can't see you. I can't feel you. Not now, soon.




 Qualquer dia desses, numa tarde qualquer.

 Oi, como vai? O mesmo de sempre? Nem sei, não tenho como saber...
 Sabe, eu estava revirando minhas redes sociais. Olhei meu orkut velho, pensando em excluí-lo, fui ver meus depoimentos e encontrei um seu, que está lá até hoje. Eu não chorei. Eu virei o rosto e relembrei dos momentos passados no msn, das horas incontáveis te escutando. Aquele teu sotaque que eu amo. E te ver... por que, diabos, eu nunca te vi? Ah! Lembrei, você mora a quilômetros daqui. 
 Você disse que me esperaria, que não queria apenas uma amizade virtual, um amor incompleto. Mas você disse que me amava, apesar de tudo, que sonhava comigo, que sentia ciúmes de mim. Ainda sente?
 Você ainda consegue me sentir aí dentro do teu peito?  Eu ainda sonho aqui, acordada, deitada, no ônibus indo pro trabalho, eu ainda sonho em um dia te conhecer. Eu ainda sonho em sentir você.
 Você não sabe quantas marcas deixou em meu peito, não sabe quanta saudade ficou. Não sabe como é ruim te ver onlinne no msn e não ir falar com você, apenas por não ter assunto e não saber o que te dizer.Porque dói pensar que nós dois brigávamos, amávamos e sentíamos juntos. Os dois. 
 Você sumiu, eu sumi. Mas eu me lembro de uma data recente que você resolveu falar comigo e me dizer, que apesar de tudo, quando pensava em alguém, era em mim, e isso dá um nó na garganta, no peito, no coração. Eu ainda amo você. Eu ainda tenho saudade da tua voz. E, foda-se, eu ainda vou te conhecer.
 Mas esta carta não chegará nas suas mãos, mas teus olhos poderão ver. E teus lábios, eles abrirão um sorriso, disso eu sei. 
 É isso, e tenha um boa vida.

05/07/2011

Sabe, estive pensando esses dias,  nas coisas que eu e você aprontávamos na escola. Naquelas salas antiquadas com os amigos barulhentos. As canetas com tampas furadas. E eu senti saudade dos apertos de mão mal feitos. Das brigas sem fundamentos. Daqueles beijos estalados. Da areia molhada nos pés descalços. E a chuva fina na volta pra casa. É, pequenos detalhes. É, são essas coisas que me fazem falta. E ainda mais, você. Você que com o tempo mudou, que com o tempo esqueceu. Que com o tempo tentou amadurecer, mas eu ainda vejo a porra da sua infantilidade nos olhos, na voz, nos dedos inquietos. E lá vem a onda da dor, derrubando essa doce nostalgia outra vez...

25/06/2011

 Então faz assim, se joga. Se joga no mar de corpos dancantes. Se acaba, enrola, dança, se diverte. Bebe, beija, e então esquece. Esquece de tudo. Esquece da vida. Esquece dele. Ou então, de um jeito melhor, encara tudo isso.


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15/06/2011

Carta pra você


 Eu vou começar de forma errada esta carta, perguntando... que porra você está fazendo que eu ainda não te encontrei?
 É, garoto, você deve está deitado na sua cama, ou na varanda fumando um cigarro natural. Ou talvez o sol esteja queimando a pele das tuas costas, pois você deve está jogando uma bola na praia, com um bronzeado legal, fazendo charme. Quem sabe até surfando, pegando uma onda legal...ou ou...ou na faculdade, com seus óculos de nerd estudando química concentrada, seja lá o que isso for e se existir.
 Quem sabe, esteja sentado em frente a uma escrivaninha, escrevendo algo que nem sabe o que significa, sentindo algo que não sabe o que é.
 É, garoto, esta carta é para você, que eu ainda não conheço, que ainda não me conhece, mas sei, sei bem que sei que somos feitos para termos alguma história, não importa se eu não sei exatamente quais são seus gostos, qual o seu estilo e qual sua preferência.
 Quem sabe, ano que vem, em uma data não muito boa, aproximadamente no mês de Junho você me peça em namoro, ou um beijo, ou um abraço.
  Garoto, que ainda não apareceu, que eu ainda não vi, levanta e vem ao meu encontro, estou precisando de você neste exato momento, porque já é noite, está frio e eu preciso de calor, um copo de leite e um corpo...

30/05/2011

About his

 Joga o cabelo pra trás, fazendo charme, mostra o sorriso torto, tosco. Fala qualquer bobagem, fala pelos cotovelos. E seus olhos cor de mel parecem verdes limões de tempos em tempos. E então o vento vem e passea pelas pernas meio tortas, tocando a pele nua, fazendo cócegas. E ele pensa que talvez seja a respiração dela. Então ele se cala, seus olhos ficam cinzas, seu sorriso torto toma a face toda e seus amigos o admiram.
 A conversa se dissipa, fazendo com que o som das ondas se misture com o crepitar da fogueira, preenchendo o vazio da não conversa. Mas eles não ligam, ele também não liga, nem percebe seus olhos mudando de cor conforme seus sentimentos. O vento para e a chuva começa. Gotas grossas atingindo-os.
 Ele corre, ri , corre e cambalea para a barraca mais próxima. Seus olhos ficam turvos, fica quieto, maxilar repuxado. Ele pensa que não é um talvez, é O talvez, e talvez seja as lágrimas dela.
 Ele joga o cabelo pra trás, se senta, começa a falar, joga pedra na areia, levanta, foge pro mar. Mesmo com a chuva a apanhar suas costas, ele não liga. Pois pensar nas lágrimas dela dói.
 E pensar é o que ele não quer.



18/05/2011

About her


 Ela se diz simples, que não exagera no perfume nem no salto alto. Ela se diz fraca, mas é fria como uma pedra e forte como um touro. Seu sorriso tem um tom cruel na ponta dos lábios, dentes enfileirados, sem pressa.
 Ela diz que tem paciência, mas sua face fica vermelha quando alguém demora a atender o celular, fica tamborilando os dedos das mãos quando alguém atrasa para ir a tal lugar.
 Ela se diz feia, mas quando passa pelas ruas, olhares lhe atravessam a face, coxas, seios, bunda, cabelo. Olhares travessos, maliciosos, olhares que admiram, mas ela não admite isso.
 Ela pega na pequena bolsa um cigarro, primeiro aspira o cheiro e decide não tragá-lo. 
 Ela foge para o canto do carro quando sai com os amigos e naqueles pequenos olhos cor de laranja queimada esconde tamanha dor que nem ela sabe que dá pra ver. Que ela não tem ideia que dá pra ver.
 Então ela começa a xingar alto o cara da boate que não aceitou o convite dela pra tal festa e então translúcidas lágrimas aparecem na sua face, mas ela logo enxuga e disfarça com aquele seu sorriso amarelo sem o toque cruel que é tão raro. Então ela olha nos olhos do cara que está dirigindo e respira fundo.
 Ele. Pelo retrovisor ela vê o carro cor de limão atrás, perseguindo-os, outros amigos. Ele. Ele. Ela repete na mente, engolindo a fúria da mágoa. Depois ela pede um copo e enchem de vodka para ela, ela engole tudo de uma vez e fica lá, no canto, calada, fraca, fria, feia e paciente.Tudo que ela não é.
 Desce do carro e olha pra todos e solta " E os caminhos nos trouxeram para este lugar." Ninguém sabe exatamente o que ela quis dizer. Não foi só da jornada de carro até ali, mas todo um passado, toda uma história que ela odeia relembrar, porque Ele estava lá de outra maneira pra ela. Ele estava lá não só para dirigir um carro cheio de amigos, mas para abraçá-la, beijá-la, amá-la. Mas ela odeia lembrar isso, porque dói.
 Então ela coloca o sorriso cruel novamente, com seu salto desfila pela calçada, arrancando olhares mais uma vez e então todos dizem que ela é forte. E ela perde a paciência esperando todos na frente do bar e seu perfume invade os passantes, ela ignora, porque será mais uma noite em que a dor vai lhe cutucar, mas ela tenta ser forte. Ela vai ser forte.

09/05/2011

Seria o meu dia


Quando eu vou poder te tocar?
Quando eu vou sentir teu cheiro?
Observar tua presença?
Sentir saudades na tua ausência?
Quando beijarei teus lábios?
Quando sentirei teus carinhos?
Quando eu poderei sentir aquele arrepio ao ouvir sua voz em meu ouvido?
Quando sorrirei ao ouvir tua respiração?
Sua voz tras a vontade. O desejo
De tocá-lo, de tê-lo.
De querer-lhe um pouco mais pra mim.
Quando vou poder olhar em teus olhos e dizer eu te amo? É em você que eu penso?
Um dia. Talvez. Ou nunca...
Mas esse dia, seria o meu dia.

25/04/2011

Só um pedaço

 Eu estive pensando em como nós somos...
Ligados...
Conectados um no outro, mas... você já percebeu que, mesmo assim, parecemos distantes no tempo e no espaço?
 Você parece aéreo enquanto eu estou tão terrena.
 Eu que só quero um pedaço seu aqui. Um pedaço.
 Seu melhor pedaço, para poder dizer que mesmo longe estamos juntos.
 Mesmo com o silêncio, nós nos entendemos.
 Que mesmo sem dizer, nós nos amamos.

21/04/2011

Um tantinho assim

 E enquanto você me puxa, eu te empurro.
 Enquanto eu digo não, você fica no talvez.
 Porque o nosso amor é assim.
 Uma vez não, uns tantos talvez , e muitos sim.
 Porque quando eu te mordo, você exagera. 
 Você me quebra, baby.
 Você me beija.
 Me deixa rir, enfrento a dor de barriga.
 Ah, mas, honey, você está comigo.
 Mesmo quando eu digo não, você vem com o seu sim.
 É esse o nosso amor.