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02/05/2016

Things like that

Eu já tive coragem, ousadia, você.
Mas agora eu tenho medo, teu medo também, de virar a esquina e você dizer que foi tudo um engano, que era só bobagem, sacanagem, todos esses termos toscos que eu imagino você falando.
Aquele medo desgraçado de dar tudo errado e ter que fazer um recomeço sem você.
Mas quero te namorar.
Apertado.
Suspirando.
Rindo.
Sonhando.
Também quero te beijar os lábios, os ombros, os braços, as pernas, teu peito.
Só que tenho medo de todas as loucuras serem apenas momentos, que todas as conversas sejam pensamentos sem fundamento.
Eu temo te ter, e ainda te quero.

Só me falta a palavra, a frase, a pergunta, você.

22/12/2015

Again and again


Oi. Reparou em mim? Teve certeza de que viu algo além de mim?
Oi. Você desviou o olhar? Não conseguiu suportar?
Oi de novo.
Será que é algum tipo de distúrbio emocional?
Ou a gente não sabe como parar?
Oi. Tem alguém aí?
Eu não sei dizer tchau.
Eu não sei te dar adeus.
Oi outra vez. Será que eu me superei dessa vez?
Olá...
Acho que a gente não sabe onde está.
Oi. Hi. Hola. Olá. Hello.
Só não me deixa say good-bye.

°°

06/12/2013

Sem título porque a inspiração acabou.



As peças do meu peito estão em desgaste. As crônicas que labutavam em meu pensar se dissipam. Os cortes quentes na minha pele fina se estraçalham com toques. Os lábios secos. A garganta que arranha.
A pergunta que se insere nas minhas veias “eu posso?”. As lacunas incompreensíveis em meu ser. A vontade.

Corroo os destaques que meus olhos encontram. Vasculho meus dedos a procura das palavras.

Me perco.
Revolto.
Me faço.

Os lençóis brancos estão salgados. A minha língua está fria.
E as correntes que meu coração bombeia, se afogam em laços.

Me vejo.
Me mato.
Me maltrato.

Tudo ao teu redor está melhor. Eu fico no desmoronamento.
Minhas pernas irrequietas. E meu tato calmo, rápido e tão fugaz te ataca. Me ataca.

Unhas. Tapas. Fúria.

O ataque feroz que arranha a pele, empurra a garganta, impede meu passos. A melodia sagaz que invade meus olhos e me deixa você no espaço.

Eu não sou fato. Nem retrato.
Sou um pacto mal feito, fadado ao erro.

25/03/2013

Aceite-me


 A música que é a sua cara, o som que faz teu ritmo. E eu penso se seria possível implantar essa sensação em você, eu queria que fosse possível você olhar pra mim e perceber que a melodia que me persegue é a sua. Eu, honestamente, queria que tudo voltasse, voltasse ininterruptamente. Eu acredito que amo você, com todos os teus defeitos terríveis, com as qualidades que por vezes ressalto de maneira tímida, dos traços físicos que me encantam e das bobagens que você não consegue desapegar.
 Você sempre vai me fazer bem, dentro dos limites, fora deles. Você tem o semblante que me enamora facilmente, me enaltece, me invade. Você tem os limites que eu gosto de transbordar.
 Quem é você que eu não esqueço? Quem é você que me ama desse jeito e mal sabes disso? Quem é você o alguém a quem gosto tanto de pensar?
 Vamos parar por aqui, deixar as músicas seguirem, com suas letras que conduzem tantos dos nossos momentos. Eu sei quem é você, você é o não-eu.
 E eu amo você.


14/02/2012

E de repente, tudo faz sentido.


Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.
- Leminski.



Costumam dizer que tudo que é seu de verdade, volta.
Quando amamos tanto alguém que o tempo fez questão de levar para longe, deixando tudo um pouco borrado e percebemos que estamos apaixonados novamente por outra pessoa, dizemos amar aquela pessoa...mas, e aquela outra pessoa que você amou, já esqueceu dela? Impossível esquecer, você se acostuma com o não mais ter, com o não mais lembrar, com apenas o gostar, mas esquecer, ou deixar de amar é simplesmente inaceitável e até mesmo improvável. Tudo que é de verdade seu, volta, mas talvez já tenhamos mesmo sem perceber, o fato é que tudo aquilo permanece com a gente.
 O amor não acaba, muito menos a afinidade, o que acaba é a paixão, o que acaba é o desejo, porque esses dois sim são passageiros, se era amor, vai continuar sendo, independente do quanto estão longes, afastados ou se já está tudo arranjado.
 Você pode amar três mil pessoas, e mesmo assim você nunca vai amar ninguém igualmente, todos vão ter um amor diferente, é isso o que estou tentando dizendo aqui. O amor por si só já é verdadeiro, ele permanece, dura, fica para sempre sim. Mas é você, que com as ideologias atuais faz com que ele morra.
 Só mais uma pergunta, de vez em quando não bate uma nostalgia? Pense nisso...

17/01/2012

A pequena pétala que cai.

 Eu me agachava perto daquela árvore que ficava no meio da rua, esperando que o vento viesse e arrancasse algumas folhas só pra eu poder pegar algumas. Eu colecionava-as.
 Houve um tempo em que eu fiquei esperando o vento vir, mas ele não veio. Em outrora as folhas secaram e me vi presa em uma árvore nua e escassa. Mesmo assim, todo dia eu ia visitar a árvore, esperando, esperando... sempre fiz isso tão bem. Até que percebi que ao passo que eu esperava as folhas florescerem novamente, o passante das onze sempre me observava com seus olhos azuis. Ou seria verdes? Bom, não sei ao certo. Mas não me importei, cheguei a encará-lo e até a dá-lo bom dia.
 Eu sempre amei aquela árvore, desde pequena. Mas, em um dia chuvoso, eu não saíra de casa e já era tardezinha quando o sol começava a dar o ar de sua graça. Fui então ao encontro da minha árvore, tão "minha". E ela não estava mais lá "puf". Eu bem sei que eu chorei rios naquela noite e toda aquela semana inteira. Eu sabia, sabia bem que não voltaria a vê-la novamente, até hoje ainda guardo as folhas secas entre meus livros na estante.
 Aquele passante, todas as tardes vinha até minha calçada e deixava um par de flores amarelas, eu as despetelavas facilmente, era mais por passatempo do que qualquer outra coisa.
- O mundo é nosso guria. - ele sempre dizia isso quando saia de sua casa para o trabalho todas as manhãs, mas eu nunca soube se aquilo era dirigido a mim, juntamente com o sorriso que me davas.
 Eu tinha apenas treze anos quando aquele passante morreu. Fiquei sem o seu sorriso, sem as flores, sem minha árvore, sem minhas folhas. Eu achava que havia perdido tudo. Tudinho.
 Ai eu cresci. Acabei me agarrando a folhas de cadernos, a cheiro de livro, ao cheiro do café matutino, ao som de Alanis, ao meu quarto, a minha mina de moedas de um centavo, ao meu insistente surto de risos. A tudo isso. Mas ai, eu perdi tudo, tudinho de novo.
 Foi bem nesse tempo, que aquele guri com olhos azuis, parecidíssimo com aquele passante das onze, apareceu na minha vida. De repente, chegando, me arrancando, me levando. E como tudo que passou, eu também o perdi. Encontrei ele um dia desses com sua filhinha de três anos, linda.
 - O tempo não passa, ele corre. - Interferi um pouco na troca de olhares que dávamos.
 - É. E você Lorrane, ainda a mesma, ainda essa ruivinha teimosa. - ele falou com sua voz sussurrante. Eu sorri e fiquei encarando o belo par de olhos da menininha. E me vi neles, dentro deles, passei uma vida inteira neles. Suspirei com o cansaço das coisas que eu achava que havia perdido.
 - Sabe, Jhonny, eu estive devaneando esses dias sobre a minha vida, sobre a árvore que existia lá na rua de casa, sobre as flores. E você quer saber de uma coisa? Eu me conformei com todas as perdas que tive na vida, mas de você, meu bem, de você eu ainda tento me recuperar, porque há um pouco de mim em você inteiro. O que não é justo, já que você sumiu com peças minhas e me deixou assim, quase que tetraplégica. - calei-me rapidamente, procurando onde enfiar a cara, aquilo saiu rápido e espontaneamente, de uma maneira que eu não esperava.
 - Lorrane, sua teimosa. Você também tem partes minhas guria, você sabe disso. - foi ai que ele soltou a mão da filhinha dele e me deu um beijo daqueles de cinema. Foi tão demorado, que quando paramos e a procuramos, ela havia sumido. A gente passou a tarde inteira juntos e graças a Deus, encontramos a pequena Ariadne sã e salva.
 Ainda continuo devaneando e "nostalgicando"  - inventei essa palavra agora - , mas agora eu sei que posso dizer uma coisa, eu não perdi nada, nadinha, muito menos aquela minha árvore, pois todos eles, tudo, tudinho,permanecem comigo, assim como todos eles também me tem.
 Olha aí, é recíproco!

05/01/2012

New year. The same shit.



 Deixo as armas no chão para começar a falar do ano que se passou e do ano que teima e tenta se iniciar. Não por querer metralhar alguns bocados de acontecimentos, mas para não atirar na pessoa que fez questão de inventar isso de "ano novo, vida nova", quem você acha que é? Alguém que simplesmente vai apagar tudo e recomeçar de novo, como se nada tivesse acontecido? Pois bem, eu digo uma coisa, não é assim, não mesmo.
 Dois mil e onze. Apenas um número, dentro de detalhes incríveis, de emoções, de conhecimento e de alguma forma descoberta ( ou seria melhor redescoberta? ) de si mesma ou da visão no espelho de forma diferente.
 Pessoalmente, foi um dos anos mais construtivos pra mim. Perdi, ganhei, perdoei, me magoei, sorri, ri, bebi, fiz milhares de besteiras, corri, cheguei em casa no outro dia de manhã com os lábios inchados, falei besteira, escrevi besteira, chorei, beijei, amei, deixei de lado coisas e como sempre, desisti de algo, de alguém, de alguma coisa. 
 Na minha concepção o verbo estar ou deixar ser, sempre fica comigo a qualquer momento. Claro que eu crio metas, situações, tenho sonhos e esperanças. Mas eu deixo as coisas seguirem seu curso, e para esse ano vou fazer a mesma coisa. Ou seja, eu espero muito mais de mim, mas se eu não conseguir, bem o jeito é deixar como estar, ou esperar.
 Conquistas? Bem, eu me conquistei. Pra esse ano? Como eu vou saber?
 Viver a vida é melhor do que ficar esperando que ela aconteça, pois ela simplesmente é, por si só.
 Eu continuo a mesma, com as mesmas lembranças, com lembranças mais novas, querendo mais. E que este ano, não seja só mais um número, mas a continuação do que já está sendo a minha vida.
 Novo ano, mesma merda, não, mesma vida de uma forma diferente... Eu acho.

09/12/2011

Desilusão

 Deram-me um tapa na cara. Disseram-me que foi você que pagou pra aquele cara me fazer isso. É feio, você sabe que é feio homem bater em mulher.
 - Desilusões, amor. Desilusões. - alguém balbucia.
 Bufo, reviro os olhos e te procuro. Que merda cara, o copo de Smirnoff Ice ao meu lado não é nada comparado ao litro de wisky que você carrega na mochila que está nas tuas costas. Eu conheço bem teu cabelo. Desgrenhado. Percebo ao longe, vejo tuas mãos na cintura de outra garota. Idiota.
 - Quero ver se você tem atitude, se vai encarar. - sussurro. Amarro meu cabelo para o alto e empurro cada um que está ao meu alcance e vou ao seu encalço.
 - Você deve ser um cara covarde, não tem coragem de bater na minha cara e manda outra pessoa bater. Além do mais, você é um homem ou um menino? Metendo a mão numa garota dessas. - Olho pra garota de franja roxa. Ela arregala os olhos e os cerra rapidamente. Sorrio.
 - Eu não quero falar com você Layla. Você não merece nem a fumaça que sai do cigarro que trago. E além do mais, aquele cara fez isso na sua cara de graça. Ele tinha uns assuntos pendentes com você, ao que parece.
 - Engraçado. Eu penso, de que valeu tudo aquilo então, porque você não admite que me ama. Não tem coragem? Até parece que você tem algum pingo de atitude. - calo-me, percebendo a sua mão ao alto. Mirando meus olhos. Sorrio novamente.
 - Porra Layla. Que merda. Merda. Merda. Por que você faz isso comigo? - Ricardo solta a mão da garota e afaga minha bochecha, ainda se encontrava vermelha. - O que você quer de mim?
 - Eu só quero que você tenha coragem de me encarar, olhar nos meus olhos e dizer tudo. Não seja grosseiro, não seja covarde. Assuma. - eu digo, aproximando-me.
 - Então garota, conseguiu. Eu amo você. E não importa o que eu faça, não consigo marcar nenhum local que seja do teu corpo, preciso machucar meu coração de vez em quando. Feliz?
 - Não muito garoto, não muito. - admito, e o enlaço em um abraço. E penso "desilusão, amor, são desilusões."

23/11/2011

Ferir.


 13 de Setembro de 2012. Em algum lugar.

  Já se aproxima da data em que nossos corações ficaram tão colados. Eu penso Rick, se você seria capaz de repetir todas as palavras que foram ditas naquele dia. Seria o amor novamente esquentando você.
 Eu tive medo de chorar todas as noites que estive contigo, pois eu sabia que era temporário. Eu sabia que te ter era arriscado.
 O engraçado é que essa carta está sendo escrita só em pensamento, pois nem meus dedos eu mecho mais. Dói respirar. Você não veio nos últimos quatro meses, nenhuma vez. A tv está ligada. Eu odeio isso Rick. Odeio a ideia de ter que morrer. E sabe do que mais? Eu não tenho medo da morte, tenho medo por você.
 Os médicos costumam conversar baixinho quando estão próximos a mim, mas eu ainda não fiquei surda, e escuto muito bem quando dizem que me restam poucos dias e que é um milagre eu ter vivido todos esses meses... Eu queria voltar na praia, sentir a maresia em meus cabelos e o sal em minhas narinas. Eu queria ver você.
 O aparelho dispara ao meu lado toda vez que penso nisso. Todos ficam alertas, eu não. Eu já me acostumei. É rotina. Por que Rick, onde você se foi? Por que comigo? Logo eu, que nem posso mais perguntar nada a ninguém.
 Meu medo é você,parece que todos sabem, me olham com olhares tristonhos. Eu choro às vezes. Parece crise, mas é dor, física, mental, emocional. Eu preciso morrer.
 Me perdoe. Me esqueça. Ou então, sempre que alguém perguntar quem você mais amou, diga que foi eu.
(Mas sabe, eu penso que, se você não vem me visitar é porque já tem alguém. Se você não vem ver meus olhos castanhos é porque já se cansou disso. Ou talvez, porque você também chora, como eu.)
 E nesses últimos "momentos" , eu não paro de pensar em você.
 Três pontos...

02/11/2011

17 de Novembro, tanto tempo depois.


As palavras cruzadas no calendário que você me deu de presente, ainda estão lá, um pouco apagadas, mas ainda permanecem lá. Você dizia que voltaria, escreveu com todas as letras "eu volto". Teu beijo de despedida ainda está impregnado na minha garganta.
 Toda noite de insônia eu penso em te escrever , eu penso em te dizer que o tempo passou levando-te junta em partes, quando amanheço, não importa qual corpo esteja ao meu lado, é do teu sorriso que eu lembro, é ele que define como vai ser meu humor. Então eu me pergunto, que eu fiz pra merecer isso? Que eu fiz pra te perder entre as palavras mal escritas nas cartas trocadas? Que eu fiz pra você ter sumido assim, sem mim, me deixando?
 Jullie, teus olhos verdes me perseguem pela rua, teu riso me entorpece nas noites no bar, e a maneira como eu balanço a cabeça quando toco minha guitarra me lembra de você gritando quando eu bati no teu amigo. E como você beliscou meu pescoço quando entrou naquele ônibus, isso, isso... é único, não tem nada que me lembre disso.
 Eu ainda deito e fico lidando com o sudoku que você me deu de presente, juntamente com o calendário, eu só completei dois, porque todo esse raciocínio me dá dor de cabeça e eu nunca fui tão inteligente como você. Tem dias que eu escuto um carro buzinar na rua e corro pra ver se é você chegando. Sempre é um vizinho chato que esqueceu o alarme ligado, ou porque vai a praia. Nunca é você.
 O rádio permanece ligado no mesmo local que você deixou, e dia sim dia não passa aquela música, Trouble deve ser o nome dela. E eu me pergunto se a música, a letra dela, é você me deixando uma pista, me respondendo o porque de você ter ido.
 Volta. Volta. Eu te quero aqui. Não importa quantas almas conheci, a minha só se sente bem com a tua. Volta. Volta. Por favor. As palavras estão me corroendo, os lábios estão secos, estão famintos de você. Volta. Eu preciso de você. Eu preciso que você faça comigo o sudoku, que marque as datas no calendário, que deite comigo, que reclame do som alto, que derrube minha guitarra, que xingue os vizinhos por as buzinas.
 Por favor, volta. Eu ainda permaneço em ti.

17/10/2011

Precisão. Necessidade. Não querer. Desapegar-se.

 São dos seus olhos que eu lembro. Azuis, penetrantes. Uma buzina ensurdecedora e você me dizendo "caminhão." Eu te perdi naquele momento...
 Depois do acidente minha vida nunca mais foi a mesma. E você está de prova disso, você ficou do meu lado. O quão eu estava errôneo naqueles primeiros pensamentos, desconhecia todos estes mistérios que me tens apresentado ultimamente, uma vida diferente.
 Você toca o espelho sem o seu reflexo no exato momento em que rabisco essas palavras em um papel amarelado, eu sei que você irá lê-lo e se perguntará se você fez o certo ao permanecer comigo. Mas querida Lilian, eu me sinto amado agora, posso ajudar almas a seguirem seus caminhos, só que eu me pergunto "Que assunto inacabado você tem pra ainda permanecer aqui?"
 Eu perdi o teu cheiro no banco do carro, entre eu e a morte, eu perdi sua respiração quando teus olhos vidrados pararam e ficaram ali, minha perna presa ou o gotejar de sangue que escorria do meu braço não se comparava aquilo, eu te perdi. Eu perdi tua vontade imensa de mergulhar em todos os mares, ou a forma que se produzia pra qualquer festa em frente a um espelho, o mesmo em que você olha agora, com aquele olhar desolador. Eu queria teu abraço. E então eu me pergunto "Será que ainda vou viver mais que isso?"
 Tua presença, mesmo que não física, me lembram isso todo o dia, o acidente nos modificou de formas variadas. Eu preciso, você necessita, nós não queremos, mas é o correto. Desapegar-se, entregar-se. Seguir.
 Querida Lilian, hoje eu tenho um encontro com a doce Silvia do trabalho, ela não se compara a você, claro, mas eu posso viver e espero que você resolva o seu assunto inacabado. E desapegue-se desse estado no limbol, siga, me deixe seguir. Me deixe fazer o que mais sei agora, fazer com que todos que ficam, sigam.
 Eu amarei sempre você.
Com carinho, Julian.


07/10/2011

Tentando.

 Uma noite de verão qualquer.

  Despeço-me dos teus cabelos encaracolados, das noites em claro e dos afagos nas bochechas. Despeço-me das tuas lembranças em mim e de tudo que você é em mim... Mas nem tudo que acaba tem final, não é? Não é desse jeito que você escreve nas mensagens que me envia?
 Murilo, eu deveria estar na praia agora, enrolando a saia nos dedos, como de costume, no lual, mas eu estou aqui, sentada na varanda, vendo as nuvens voarem, escrevendo a ti um sinal para você seguir. Sem mim.
 As vidas seguem, a minha seguiu, mesmo que tenha doído no começo sem ti, eu consegui. Você faz ideia do quanto isso é difícil? Como eu te disse, na maioria das vezes só o amor não é suficiente. Existe outras coisas querido. E eu quero que você aprenda que, esses anos que se passaram foram o fim. Acabou.
 E desta vez despeço-me dá tua frenética onda de ciúmes que me entupiam as veias de raiva, despeço-me do  teu egocentrismo e da tua tirania. Mas além de tudo, despeço-me da parte em mim que ficou em ti.
 Só que no fim desta carta eu tenho que concordar contigo. Nosso fim ainda não chegou, só está no modo pause, por muito tempo.
 Viva bem, cuide bem, e retire-me da parte que atrapalha tua vida, assim como fiz. Assim como tento.



30/09/2011

This is life

 Eu gosto do grave que sai das caixas de som abafadas na sala, elas trazem um pouco de esperança. Elas me fazem sentir o som oco dos meus batimentos cardíacos. Você sabe como são os momentos finais de uma vida, Violet? É tudo isto que eu estou passando agora. O som do bipe do meu lado, o odor, as dores físicas, os analgésicos. Eu me sinto péssimo. E acho que isso é um adeus. Eu amo você, não se esqueça. Me perdoe.

  Amassou o papel e os seus olhos se encheram de lágrimas. Ela sabia que aquilo não o traria de volta, mas ela releu mil vezes o mesmo bilhete, o mesmo papel, as mesmas palavras...e sentiu o cheiro. Dele. Ainda impregnado nas bordas. Correu até onde tinha jogado o papel e o enfiou no bolso. É só isso que resta dele e eu vou levar para sempre. Pensou, sacudiu a areia da calça jeans e correu para seu skate. Fones de ouvido. Proteção. Ou tortura? O som que saía era o deles. Coldplay - Yellow , estava escrito na tela. O coração reprimia o choro. O vento na cara parecia suor.
- CHEGA. - gritou, parou e jogou novamente o papel no chão. Pisou. E retirou os fones do ouvido. Escutando tudo ao redor. Os risos, os gritos. E viu a vida. Os olhos. A respiração ininterrupta que saía de si.
- Eu continuo viva. E você não. Richard. Eu o amo, amei e o amarei sempre, mas a vida ainda continua em mim e eu pretendo vivê-la e não viver morta. Dói da mesma maneira de quando você se foi. Dói da mesma maneira que a nossa briga. Você me dói. Me corta. Eu sinto tanto sua falta. Mas, como você diria "você sobrevive". É o que eu espero meu bem. É o que eu tentarei. - recolocou os fones de ouvido, subindo novamente no skate e seguiu rumo a sua casa. Sentia um certo alívio no peito.
 Sorriu.

20/09/2011

Eu não sei. Eu não sinto. Sinto. Sinto vazio.



 Sentir. Deitar e sentir. Você sabe o que é isso? Essa dor que bate no peito e fica. A vontade de não sair da cama de manhã. E de noite, deitar e ficar lá, sem conseguir dormir, as pupilas dilatadas, mas lágrimas não enchem os olhos, somente o vazio, o não querer.
 Sentir. Será que eu sei o que é isso? Será que eu sinto algo no peito? Será? Então eu penso, os lençóis sabem mais de mim do que eu mesma, pois eles sentem meu corpo toda noite, vê meus sonhos, ouve minha respiração contida. E a rotina me consome, levantar e olhar no espelho a expressão vazia, o sorriso apagado, os olhos fundos como se não dormisse à dias, mas que passou quase dez horas dormindo...ou seria oca?
 Olha eu, deitada, calada, sentindo. Será que eu sei mesmo o que é isso? Não sei, não sei... Como vou saber se sei, como vou saber se sinto?  O peito pesa. Os lábios se comprimem. Será que sei?
 E então lembranças vem. Eu sinto sua falta. Acho que isso é sentir...

09/09/2011

Tente

 Eu sei lá sabe, mas dá uma dor de barriga olhar pra ele, sorrindo desse jeito,vendo as nuvens se aproximarem. E os pés no asfalto, a cara amassada, as mãos suadas. Eu sei lá sabe, mas me dói ver ele aqui, do meu lado e não poder tocá-lo. E não tocá-lo da forma que eu queria. E essa dor que não passa. E tudo que fica.
- Eu gosto de como as nuvens ficam quando está próximo de uma tempestade.
- Eu gosto de você.
...
Eu fui, falei e pronto. Saiu. E a chuva veio. E a rua inundou meu peito. Ele tá martelando sabe. Ele tá batendo feito um condenado.
- Eu-eu vou pra casa. - Ele tem boas pernas pra corrida, sempre teve. A chuva parece deixá-lo passar. Mas eu, eu fico ali, banhando-me, doendo-me.
- Você não vem? - ele grita longe, o som das gotas tampando minha visão, minha audição. Como eu escutei aquilo mesmo? - Você não vem? - ele sussurra, no meu ouvido, minha barriga dói daquela maneira e os olhos dele parecem me queimar. Que inferno. Que seja.
- O que foi? - eu pergunto, esperando, encarando. Ele sorri aproximando-se.
- Eu gosto de você também. - E tudo para. 
Tudo.

06/09/2011

Desde o começo já era fim

“- Vou te escrever carta e não mandar.
- Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
- Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
- Vou ver Saturno e me lembrar de você.
- Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
- O tempo não existe.
- O tempo existe, sim, e devora.”

      - CFA



 Olá querido ótario. Como vai a vida sem mim? Como vai a vida sem você?
 Eu queria te explicar uma coisa, aquilo que você chamava que eu tinha...como era mesmo? Ah, dependência. Eu queria poder dizer a você que, aquilo nem sequer existiu, talvez da tua parte, pois no momento em que eu parti, eu soube dos teus pedaços no chão da sala, presos em copos de vinho e naquele cigarro que eu tanto odiava.
 Você disse que não pertencia a ninguém, mas nem percebeu quando não conseguia dormir sem ouvir o meu boa noite. Nem percebeu que teus braços viviam se agarrando aos meus, como um vício, que eu gostava. Eu adorava, eu te amava. E o tempo passou...
 É de noite lá fora, chove forte e eu sinto o cheiro que o vento trás. Parece você na minha porta e o coração aperta.Dependência, isso é uma palavra feia sabia? Querido ótario, onde você está?
 Esta carta não vai chegar, não tem endereço para ir, não tem coração para entrar. Onde você está?
 Dependência, depender, depende, pende, de perder, argh. Eu perdi. Você sabe que perdi neste jogo, entre as cartas jogadas no tapete deste quarto está as que você me devolveu, como se isso fosse fazer alguma diferença. Nostalgia. Já era tudo aqui dentro do peito. A dor se esvaiu. Não depende de você, nunca dependi de você, você era meu ponto seguro nessa linha, você foi a pessoa que segurou meus braços para não cair de cara no chão na volta dos shows. Eu te amei por isso. E não te amo mais querido ótario.
 E isso se chama independência e o tempo corre para os dois.
 Adeus.

26/08/2011

Was



Cecily olhava a janela e via o mundo correr. Estava perdida entre trilhos e pessoas. E sabia que aquele mal-estar na sua garganta ia demorar a passar. Pois ardia a lágrimas entaladas. Ela sabia que tudo havia ficado no passado, mas só queria lembra-se de como era ter amado e sofrido. 








 - Feito para o projeto Creativité nas Edições Desafio, Começo e fim e visual. *-*

23/08/2011

I can't see you. I can't feel you. Not now, soon.




 Qualquer dia desses, numa tarde qualquer.

 Oi, como vai? O mesmo de sempre? Nem sei, não tenho como saber...
 Sabe, eu estava revirando minhas redes sociais. Olhei meu orkut velho, pensando em excluí-lo, fui ver meus depoimentos e encontrei um seu, que está lá até hoje. Eu não chorei. Eu virei o rosto e relembrei dos momentos passados no msn, das horas incontáveis te escutando. Aquele teu sotaque que eu amo. E te ver... por que, diabos, eu nunca te vi? Ah! Lembrei, você mora a quilômetros daqui. 
 Você disse que me esperaria, que não queria apenas uma amizade virtual, um amor incompleto. Mas você disse que me amava, apesar de tudo, que sonhava comigo, que sentia ciúmes de mim. Ainda sente?
 Você ainda consegue me sentir aí dentro do teu peito?  Eu ainda sonho aqui, acordada, deitada, no ônibus indo pro trabalho, eu ainda sonho em um dia te conhecer. Eu ainda sonho em sentir você.
 Você não sabe quantas marcas deixou em meu peito, não sabe quanta saudade ficou. Não sabe como é ruim te ver onlinne no msn e não ir falar com você, apenas por não ter assunto e não saber o que te dizer.Porque dói pensar que nós dois brigávamos, amávamos e sentíamos juntos. Os dois. 
 Você sumiu, eu sumi. Mas eu me lembro de uma data recente que você resolveu falar comigo e me dizer, que apesar de tudo, quando pensava em alguém, era em mim, e isso dá um nó na garganta, no peito, no coração. Eu ainda amo você. Eu ainda tenho saudade da tua voz. E, foda-se, eu ainda vou te conhecer.
 Mas esta carta não chegará nas suas mãos, mas teus olhos poderão ver. E teus lábios, eles abrirão um sorriso, disso eu sei. 
 É isso, e tenha um boa vida.

09/08/2011

Bad reputation


Deixe a morte me condenar.
Ela que faça seu julgamento.
Minha vida não é tão gratificante.
Os erros são pessimistas.
As vantagens nem sempre são grandes.
Elas não me deixam ser otimistas.
Como pode dizer que sou rancorosa?
Se a minha vida medíocre é completa de perdões.
O perdão não está conectado a mais nada em minha mente,
Ele vive sozinho,vagueando.
A dor não deixa espaço para nenhum sentimento à mais.
Ela comanda meus poros,meus desejos.
Confundindo minha mente já tão conturbada.
Então,morte.
Que justiça você fará para mim?
Me levará rápido?
Ou me fará morrer dessas dores insuportáveis?
Não,não faça isso,nada disso.
Minha sorte me condena,ela é minha justiça.
Faça-me ser o que me contente
e assim,sim poderá me julgar.
Me levar,acabar com o que resta de mim.
Dor insuportável,não traga minha má sorte
pois ela,assim como você,me despedaçará.
Me fazendo chorar
e cada gota viraria sangue na sua veia,
te deixando mais forte.
Não quero morrer de você,
dor.
Então,ocupe minha mente,
para que as lágrimas não caíam dos portões da minha alma.




Texto postado originalmente em 24 de maio de 2009 / P.s. Não estou sentindo isso no momento. :}

12/07/2011


E aquele seu cabelo liso, feito escovinha. Olhos miúdos. Boca fina. É, aquele seu gingado particular. Aquela sua barriguinha que dá vontade de apertar. Seus olhos miúdos que encaram feito um louco. Um louco encantado Porque as marquinhas no rosto, a barba por fazer e a pouca barriga que salta da camisa somem. Somem assim que seus olhos se encaixam nos meus. Uma voz baixa, sorriso raro. Aquele cara que qualquer garota quer. E que não é perfeito. E nem quer