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18/04/2012

Verdade ilícita - pt. 10








O tempo às vezes para aqui, em mim. E eu não sei mais o que ocorre no mundo. O que ocorre comigo. As batidas, as feridas, a vermelhidão em meus braços, a palidez nos meus seios. A nostalgia me atinge... Há quanto tempo estou aqui mesmo? 
 Eu quero chorar, meus olhos estão vidrados, paralisados. Eu quero morrer. Mas aí, tem Fil me chamando, Fil me amando, Fil me acordando, Fil me beijando, Fil sorrindo, Fil querendo me matar...
 Braços agarram minha cintura. Eu estremeço com a quentura que a tanto tempo não sinto.
 Água. Água em mim, no ar, em meus pulmões, em meu rosto, naquele rosto lindo que me encara os olhos.
- E, então, seu bem mais precioso está morrendo e te matando junto... e eu também. - eu conheço essa voz... - Sally, há quanto tempo você se encontra aqui? E... eu não entendo. Como você não morreu? Você não virou uma mortal? - Filiphi.
- O que você faz aqui? - Pergunto, tentando me erguer, mas a cabeça doía.
- Vim te resgatar. Vim me resgatar. - ele suspira forte e seus dedos deslizam sobre minha sombrancelha. E aquela vontade de o abraçar aumenta. E, então penso no que ele disse...
- Como assim meu bem mais precioso está morrendo? - ele deita ao meu lado, escuto as ondas baterem perto de nossos pés. 
- Aquele tal de Júnior. - ele diz e se cala, segura minha mão e a coloca em seu peito, eu sinto novamente sua quentura e seu coração bater. Meu Deus, eu ainda o amo. - Eu senti sua falta.
- Precisamos correr. - digo. - Isso já ocorreu uma vez há um tempo, com outra pessoa, eu completei a cota de sonhos com ela, mas quando ela se desvaneceu, me enfraqueceu. E, não sei como reagir ao Júnior, porque ele não é um simples sonho, você sabe bem disso. Preciso... - não completo, os lábios dele estão nos meus, seguros, firmes e adentram-me. Eu sinto fome, fome dele. 
- Para. E fica comigo. Vive comigo. Faz o que tem que ser feito, mas... comigo. 
- Fil, as coisas não são assim. você sabe muito bem, toda vez que nos damos uma chance, você tenta me matar uma hora ou outra, e isso me machuca. A respeito disso, precisamos conversar. Mas como disse, precisamos correr, caso queira também sobreviver. - dizendo isso, ele me pega nos braços e vamos até seu carro. E eu penso que irá ser uma viagem silenciosa e cheia de tensão. Sinto seu cheiro e me agarro nisso. Não sei o que pode me acontecer a partir de agora.




(continua...)

29/02/2012

Desencana

As pálpebras pesavam, era como se a espera fosse se imortalizar, o buraco na parede da sala dava para ver o outro lado da rua. Os dentes estavam sem ser escovados há dias. As roupas espalhadas, o calor consumindo, cabelo sujo, peças de baixo amarradas em lugares inapropriados. Então alguém bate a porta, parecia até impossível, alguém, no meio da noite, precisamente às dez da noite, bater aquela porta amarela no meio de uma rua deserta. Kimberly se empertigou no sofá e percebeu que estava nua. Sua preguiça era tanta que seus passos demoraram a chegar até suas peças de roupa.
- JÁ VAI. - Kimberly grita, denunciado sua "vida". Dá uma espiada pelo olho mágico. Veste-se rapidamente e abre a porta.
- Já não era sem tempo. Kimberly, só vim deixar algumas cartas que chegaram por engano na minha casa, estão endereçadas com seu nome. E, hum, trouxe um pouco de pizza pra você, caso queira. - Keira, era sua vizinha *bitch* , Kim percebeu o olhar de desdém que ela dava ao perceber a bagunça que estava a casa dela. - Bom, era isso. É...tenha uma boa noite.
 No momento em que fechou a porta, pôs-se a tirar as roupas novamente. Comeu um pedaço de pizza, mas largou-o logo em seguida. Eca, é de calabresa. Cheirou as cartas e percebeu que elas foram coladas recentemente. Keira havia espiado suas correspondências.
 Kimberly olha no espelho e percebe olheiras enormes, lábios ressequidos e algumas espinhas surgindo em sua testa. Suspira e volta para o sofá.

 Passaram-se dias desde aquela noite fatídica. Hoje, Kimberly come uma pizza ( de mussarela ) e debruçada sob as cobertas de sua cama, com os dentes escovados, cabelos limpos e um novo corte, ensaia sua fala para a conversa de amanhã... Thimoty vem para a cidade.

 As cartas foram novamente enviadas. As respostas foram esperadas. Os ensaios foram feitos... Mas o roteiro não saiu como queria...
- Kim, eu não recebi nenhuma carta sua. E, além do mais, eu me mudei... como poderia eu ter te respondido? - Kim é pega de surpresa, enfia sua cara em uma máscara imaginária e trepensa uma maneira de reverter a situação.
- Ora, mas assim Thimoty, independente disso, você poderia ter me enviado alguma carta, não sei, talvez dizendo como ia a vida, pois sei bem que meu endereço ainda permanece na sua agenda. Que, inclusive, é esta em cima da mesa.
- Kim... eu estou noivo. Você entende isso? Nosso romance, se é que posso chamar disso, acabou no momento em que fui embora. - ele suspira, olha em volta e pega as mãos de Kim nas suas. - Eu quero que seja feliz e que... não que me esqueça completamente, mas que me apague um pouco dos teus dias. Você precisa disso. - dizendo isso, levanta-se, contorna a mesa, dá um beijo no alto da testa de Kim e se vai.
 Às vezes, ensaiar o diálogo, o desenrolar, o desfecho e tudo mais não é uma boa. Nunca é.

 Talvez dez anos haviam se passado. Kim estava presa naquela casa de porta amarela, com sua vizinha chata, com um emprego que era a única escapatória da realidade e um namorado fudido.
 Numa tarde dessas, na volta do horário do almoço do trabalho, Kim esbarra em ombros conhecidos.
- Thimoty. - olhos turvos e escuros pararam em seus dedos... sem nenhum anel.
-Kimberly. Como você...
- Ainda espero resposta. - Sai sozinho as palavras sem comando. Kim está com as mãos sobre os lábios, prendendo tudo, os olhos esbugalhados.
- Acho que tua vida tá muito melhor sem a minha. Além do mais, a gente ainda se encontra por aí de novo. Estou de volta. - Estou de volta. Estou de volta. Estou de volta.
- Thim, não tem mais aquele buraco na sala. Talvez eu termine com meu namorado stupid e, e, aaaah, eu não sei. Só sei que te quero ainda.
- Kim... a gente conversa depois sobre o nós. - O beijo estalado na boca, fez com que ela acordasse um pouco. Um pouco pra vida... Ali estava sua resposta.
 Talvez os acasos sejam bem melhores que os planos. Talvez o tempo seja bem melhor que a insistência implicante. Talvez o amor verdadeiro seja bem melhor que o fascínio temporário. Talvez a eterna espera, seja a única coisa que sobra numa vida perdida. Talvez não... é.

03/02/2012

Me conte por aí.

 Eu esperava o momento certo para dizer aquele cara do balcão da padaria pra caprichar no meu pedido. Ele sempre entendia errado, fazia pouco caso do que eu dizia. Quando chegava em casa, só ouvia reclamações. Caroline nunca faz isso direito pra cá e pra lá. Minha irmã olhava para o espelho que ficava no fim do corredor da sala e imitava as reações da família. Eu ria dela toda vez que ela fazia isso. Mas apesar de tudo isso, porque era o que sempre acontecia, eles nunca me impediram de ir na padaria.
- Capricha mais dessa vez, moço. - eu pedia, com os olhos suplicantes. Mas toda vez ele sorria fininho e voltava com minha sacola sempre igual. A reclamação não parava nunca.
Um dia, eu estava voltando de umas das minhas caminhadas e passei em frente a padaria.
- Psiu. - alguém disse, e quando olhei, espantada, era o moço dos pães. 
- Não vai querer pães hoje, guria? - ele perguntou. E então espiei pelo meu óculos desajustado que seus olhos brilhavam de uma maneira estranha. 
- Não moço. Hoje não. - E fui, mas aí ele me seguiu. Andava com um violão na mão, as unhas bem cuidadas,  tinha uma tatuagem no antebraço que até aquele minuto eu nunca havia reparado.
- Então. Eu especulei lá pela cozinha, que eu não posso caprichar somente no seu. Ele disse que eu estaria privilegiando apenas uma das clientes. - dizendo isso, suspirou e começou a dedilhar seu violão. E eu sabia que som ele estava querendo tirar dali.
- Você gosta de Kid Abelha? - pergunto.
- Algumas músicas são bem interessantes. É, acho que gosto sim. - ele sorri. - Olha, vou caprichar nos seus pães da próxima vez.
- Ah, meu nome é Caroline e o seu?
- Marco, mas não conte a ninguém, nem meu nome, nem esse favor que irei fazer pra você. - e sai andando, ainda dedilhando seu violão.
 Nas semanas seguintes seus olhos pareciam brilhar ainda mais e as reclamações em casa pararam. E em todas as voltas das minhas caminhadas, ele costumava me seguir até uma rua próxima da avenida em que eu morava. A gente acabou se acostumando um com o outro. E acabamos andando de mãos dadas sem perceber. 
 Foi numa dessas minhas voltas que ele se inclinou um pouco pra mim.
 - Não vou fazer isso se a primeira coisa que você vai dizer depois é "não conte a ninguém". - soltei. Pois tudo que ele dizia parecia ser segredo. Tudo. Até seu nome ele pediu pra mim não contar a ninguém.
- Não se preocupe. Porque isso, eu vou querer espalhar aos quatro cantos. - e completou seu percurso.
 Até hoje Marco tem a mania de me pedir pra não contar nada a ninguém. Mas eu, eu ele sempre espalhou por aí...

17/01/2012

A pequena pétala que cai.

 Eu me agachava perto daquela árvore que ficava no meio da rua, esperando que o vento viesse e arrancasse algumas folhas só pra eu poder pegar algumas. Eu colecionava-as.
 Houve um tempo em que eu fiquei esperando o vento vir, mas ele não veio. Em outrora as folhas secaram e me vi presa em uma árvore nua e escassa. Mesmo assim, todo dia eu ia visitar a árvore, esperando, esperando... sempre fiz isso tão bem. Até que percebi que ao passo que eu esperava as folhas florescerem novamente, o passante das onze sempre me observava com seus olhos azuis. Ou seria verdes? Bom, não sei ao certo. Mas não me importei, cheguei a encará-lo e até a dá-lo bom dia.
 Eu sempre amei aquela árvore, desde pequena. Mas, em um dia chuvoso, eu não saíra de casa e já era tardezinha quando o sol começava a dar o ar de sua graça. Fui então ao encontro da minha árvore, tão "minha". E ela não estava mais lá "puf". Eu bem sei que eu chorei rios naquela noite e toda aquela semana inteira. Eu sabia, sabia bem que não voltaria a vê-la novamente, até hoje ainda guardo as folhas secas entre meus livros na estante.
 Aquele passante, todas as tardes vinha até minha calçada e deixava um par de flores amarelas, eu as despetelavas facilmente, era mais por passatempo do que qualquer outra coisa.
- O mundo é nosso guria. - ele sempre dizia isso quando saia de sua casa para o trabalho todas as manhãs, mas eu nunca soube se aquilo era dirigido a mim, juntamente com o sorriso que me davas.
 Eu tinha apenas treze anos quando aquele passante morreu. Fiquei sem o seu sorriso, sem as flores, sem minha árvore, sem minhas folhas. Eu achava que havia perdido tudo. Tudinho.
 Ai eu cresci. Acabei me agarrando a folhas de cadernos, a cheiro de livro, ao cheiro do café matutino, ao som de Alanis, ao meu quarto, a minha mina de moedas de um centavo, ao meu insistente surto de risos. A tudo isso. Mas ai, eu perdi tudo, tudinho de novo.
 Foi bem nesse tempo, que aquele guri com olhos azuis, parecidíssimo com aquele passante das onze, apareceu na minha vida. De repente, chegando, me arrancando, me levando. E como tudo que passou, eu também o perdi. Encontrei ele um dia desses com sua filhinha de três anos, linda.
 - O tempo não passa, ele corre. - Interferi um pouco na troca de olhares que dávamos.
 - É. E você Lorrane, ainda a mesma, ainda essa ruivinha teimosa. - ele falou com sua voz sussurrante. Eu sorri e fiquei encarando o belo par de olhos da menininha. E me vi neles, dentro deles, passei uma vida inteira neles. Suspirei com o cansaço das coisas que eu achava que havia perdido.
 - Sabe, Jhonny, eu estive devaneando esses dias sobre a minha vida, sobre a árvore que existia lá na rua de casa, sobre as flores. E você quer saber de uma coisa? Eu me conformei com todas as perdas que tive na vida, mas de você, meu bem, de você eu ainda tento me recuperar, porque há um pouco de mim em você inteiro. O que não é justo, já que você sumiu com peças minhas e me deixou assim, quase que tetraplégica. - calei-me rapidamente, procurando onde enfiar a cara, aquilo saiu rápido e espontaneamente, de uma maneira que eu não esperava.
 - Lorrane, sua teimosa. Você também tem partes minhas guria, você sabe disso. - foi ai que ele soltou a mão da filhinha dele e me deu um beijo daqueles de cinema. Foi tão demorado, que quando paramos e a procuramos, ela havia sumido. A gente passou a tarde inteira juntos e graças a Deus, encontramos a pequena Ariadne sã e salva.
 Ainda continuo devaneando e "nostalgicando"  - inventei essa palavra agora - , mas agora eu sei que posso dizer uma coisa, eu não perdi nada, nadinha, muito menos aquela minha árvore, pois todos eles, tudo, tudinho,permanecem comigo, assim como todos eles também me tem.
 Olha aí, é recíproco!

09/12/2011

Desilusão

 Deram-me um tapa na cara. Disseram-me que foi você que pagou pra aquele cara me fazer isso. É feio, você sabe que é feio homem bater em mulher.
 - Desilusões, amor. Desilusões. - alguém balbucia.
 Bufo, reviro os olhos e te procuro. Que merda cara, o copo de Smirnoff Ice ao meu lado não é nada comparado ao litro de wisky que você carrega na mochila que está nas tuas costas. Eu conheço bem teu cabelo. Desgrenhado. Percebo ao longe, vejo tuas mãos na cintura de outra garota. Idiota.
 - Quero ver se você tem atitude, se vai encarar. - sussurro. Amarro meu cabelo para o alto e empurro cada um que está ao meu alcance e vou ao seu encalço.
 - Você deve ser um cara covarde, não tem coragem de bater na minha cara e manda outra pessoa bater. Além do mais, você é um homem ou um menino? Metendo a mão numa garota dessas. - Olho pra garota de franja roxa. Ela arregala os olhos e os cerra rapidamente. Sorrio.
 - Eu não quero falar com você Layla. Você não merece nem a fumaça que sai do cigarro que trago. E além do mais, aquele cara fez isso na sua cara de graça. Ele tinha uns assuntos pendentes com você, ao que parece.
 - Engraçado. Eu penso, de que valeu tudo aquilo então, porque você não admite que me ama. Não tem coragem? Até parece que você tem algum pingo de atitude. - calo-me, percebendo a sua mão ao alto. Mirando meus olhos. Sorrio novamente.
 - Porra Layla. Que merda. Merda. Merda. Por que você faz isso comigo? - Ricardo solta a mão da garota e afaga minha bochecha, ainda se encontrava vermelha. - O que você quer de mim?
 - Eu só quero que você tenha coragem de me encarar, olhar nos meus olhos e dizer tudo. Não seja grosseiro, não seja covarde. Assuma. - eu digo, aproximando-me.
 - Então garota, conseguiu. Eu amo você. E não importa o que eu faça, não consigo marcar nenhum local que seja do teu corpo, preciso machucar meu coração de vez em quando. Feliz?
 - Não muito garoto, não muito. - admito, e o enlaço em um abraço. E penso "desilusão, amor, são desilusões."

30/09/2011

This is life

 Eu gosto do grave que sai das caixas de som abafadas na sala, elas trazem um pouco de esperança. Elas me fazem sentir o som oco dos meus batimentos cardíacos. Você sabe como são os momentos finais de uma vida, Violet? É tudo isto que eu estou passando agora. O som do bipe do meu lado, o odor, as dores físicas, os analgésicos. Eu me sinto péssimo. E acho que isso é um adeus. Eu amo você, não se esqueça. Me perdoe.

  Amassou o papel e os seus olhos se encheram de lágrimas. Ela sabia que aquilo não o traria de volta, mas ela releu mil vezes o mesmo bilhete, o mesmo papel, as mesmas palavras...e sentiu o cheiro. Dele. Ainda impregnado nas bordas. Correu até onde tinha jogado o papel e o enfiou no bolso. É só isso que resta dele e eu vou levar para sempre. Pensou, sacudiu a areia da calça jeans e correu para seu skate. Fones de ouvido. Proteção. Ou tortura? O som que saía era o deles. Coldplay - Yellow , estava escrito na tela. O coração reprimia o choro. O vento na cara parecia suor.
- CHEGA. - gritou, parou e jogou novamente o papel no chão. Pisou. E retirou os fones do ouvido. Escutando tudo ao redor. Os risos, os gritos. E viu a vida. Os olhos. A respiração ininterrupta que saía de si.
- Eu continuo viva. E você não. Richard. Eu o amo, amei e o amarei sempre, mas a vida ainda continua em mim e eu pretendo vivê-la e não viver morta. Dói da mesma maneira de quando você se foi. Dói da mesma maneira que a nossa briga. Você me dói. Me corta. Eu sinto tanto sua falta. Mas, como você diria "você sobrevive". É o que eu espero meu bem. É o que eu tentarei. - recolocou os fones de ouvido, subindo novamente no skate e seguiu rumo a sua casa. Sentia um certo alívio no peito.
 Sorriu.

09/09/2011

Tente

 Eu sei lá sabe, mas dá uma dor de barriga olhar pra ele, sorrindo desse jeito,vendo as nuvens se aproximarem. E os pés no asfalto, a cara amassada, as mãos suadas. Eu sei lá sabe, mas me dói ver ele aqui, do meu lado e não poder tocá-lo. E não tocá-lo da forma que eu queria. E essa dor que não passa. E tudo que fica.
- Eu gosto de como as nuvens ficam quando está próximo de uma tempestade.
- Eu gosto de você.
...
Eu fui, falei e pronto. Saiu. E a chuva veio. E a rua inundou meu peito. Ele tá martelando sabe. Ele tá batendo feito um condenado.
- Eu-eu vou pra casa. - Ele tem boas pernas pra corrida, sempre teve. A chuva parece deixá-lo passar. Mas eu, eu fico ali, banhando-me, doendo-me.
- Você não vem? - ele grita longe, o som das gotas tampando minha visão, minha audição. Como eu escutei aquilo mesmo? - Você não vem? - ele sussurra, no meu ouvido, minha barriga dói daquela maneira e os olhos dele parecem me queimar. Que inferno. Que seja.
- O que foi? - eu pergunto, esperando, encarando. Ele sorri aproximando-se.
- Eu gosto de você também. - E tudo para. 
Tudo.

26/08/2011

Was



Cecily olhava a janela e via o mundo correr. Estava perdida entre trilhos e pessoas. E sabia que aquele mal-estar na sua garganta ia demorar a passar. Pois ardia a lágrimas entaladas. Ela sabia que tudo havia ficado no passado, mas só queria lembra-se de como era ter amado e sofrido








 - Feito para o projeto Creativité nas Edições Desafio, Começo e fim e visual. *-*

29/07/2011

Lives

 Essa é uma história curta. Não é que eu queira resumir, mas é que essa história não é minha. Foi de alguém que eu conheci há muito tempo, no baile da escola, coberta de calda de chocolate.

- Sabes até que isso tem um cheiro bom, a não ser que isso está tampando minha visão. - ela dissera, com o coque em seu cabelo baixo por conta da calda. Ela estava com um vestido verde bebê (ou seria azul?) e uma tiara que combinava com o sapato preto.
- Argh. Isso coça no nariz. - eu era alérgica a chocolate e rapidamente sai de sua frente.
- Certo, você, só...ah, esquece. - ela dissera, retirando o óculos e mostrando seus olhos incrivelmente azuis como o céu.
- Você tem olhos lindos. - eu disse, ela não percebera meu comentário. Andava calmamente ao toalhete. A segui.
- Você não vai parar de me seguir? - ela disse, entrou e encontrou um banheiro, onde se trancou imediatamente. Era raro ver algum desocupado. Fiquei desolada e do lado de fora sabia que ela estava chorando. Sabia e ouvia.
- Por que choras? - perguntei.
- Isso é engraçado. A vida. As pessoas. A falsidade. Você sequer sabe quem eu sou, não é? É incrível como olhos verdes podem te enganar facilmente, como um sorriso bobo na cara ao te ver pode te hipnotizar. Como uma trama maldita pode se concretizar. - Eu sabia do que ela falara, o boato já corria pelo baile. "Garota nerd enganada por garoto popular é banhada por chocolate pela líder de torcida." Bang bang. Eu odiava isso na escola, odiava o modo como tudo era ironizado, padrozinado, esquematizado.
- É, é engraçado. - eu dissera, pensativa. Ela continuava a falar, e eu pensara que na época ela não suportaria olhar para cara de nenhuma pessoa daquela escola. E até me aliviou lembrar que seria o último ano.

 Foi nosso pequeno diálogo. Ela saiu daquele banheiro, limpou o óculos, enxugou as lágrimas, tirou o vestido, e apenas com o vestido fino que ela estava por baixo saiu novamente para o baile. Claro que ela não ficou, saiu andando para sua casa. E eu nunca mais havia ouvido falar dela...até hoje.
 Sim, é engraçado como a vida, as pessoas são. Eu nunca soube o nome dela ou onde ela morava, mas aquele diálogo formou a sua história.
 Hoje, ela faz filmes, roteiros e eu estarei a par com ela em um dos seus filmes. Sou a diretora. Ela também é fotógrafa. Quer saber o que mudou na vida dela?
 Ela abriu seus olhos, começou a usar lentes, deixou os cabelos soltos, vestiu a moda, estudou muito, se dedicou, esqueceu o baile, o cara, a patricinha. Ela se formou, se casou, teve filhos, um emprego, um orgulho. Ela aprendeu com um erro, e hoje pensando nisso e lembrando daquela garota eu vejo que se você cai uma vez, você tem milhões de chances para levantar e ser melhor do que a pessoa que te derrubou ou não te ajudou.
 Essa é a história dela.

19/04/2011

Begin

 A imagem dela tremeluziu na minha frente. Os olhos e aquela boca carnuda me chamavam. Eu fiquei ali, parado, preso a sua imagem. Segurando sua mão, vendo o quanto ela estava fisicamente ali.
- Iana, eu sinto sua falta. - eu digo, percebendo o quanto minha voz tremia. Ela deu um pequeno sorriso e apertou ainda mais minha mão. Me aproximei, vendo que ela não respirava, vacilei um pouco e soltei um suspiro.
- Erick querido, as coisas mudaram muito. Eu também senti sua falta. - ela diz e  eu encaro os olhos dela, tão meus, tão reais.
- Por que não podemos começar tudo de novo? - eu pergunto, segurando as lágrimas teimosas na minha garganta. Eu sabia a resposta, eu sabia o motivo e a culpa era toda minha.
- Meu amor, não podemos mudar o que já passou, passado é passado. Você continua vivo e tem que recomeçar, não adianta fazer o que vem fazendo, procurando vingança por mim. Eu estou em paz, Erick. Eu estou bem, só...só sinto sua falta, mas eu irei te esperar, irei sempre te esperar. - ela diz pra mim, e não entendo o porque ou como é possível, mas lágrimas saltam de sua face. Se aproxima e beija meus lábios, eu sinto o quanto sua imagem está se dissolvendo e eu quero agarrá-la e não soltá-la mais, deixá-la ali comigo, pra sempre.
- Iana.não vá. - eu sussurro. - Eu amo você e por você irei recomeçar. - digo, ela sorri e sua imagem some aos poucos. Eu agarro o vazio, respirando forte, respirando seu perfume. Eu sei que ela se foi, e que não podemos ter um novo começo, dói, machuca, mas eu pretendo seguir, por ela...por mim.





05/04/2011

Só o tempo

-Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração...então meu querido, você está apaixonado. - disse Florence, que calmamente saboreava seu prato típico. O único que conseguia comer daquele restaurante.
- Mas, Flo, não é bem assim. Eu penso nessa pessoa a todo instante, até quando estou conversando com ela. E você pode perceber, sou difícil de sorrir e quando estou com essa pessoa o meu sorriso vem fácil. - disse Theo.
- Vamos, Theo. Coma, amanhã você me conta mais sobre essa pessoa misteriosa que está fazendo isto com você. - Florence diz e bebe um pouco do vinho que estava em seu copo. Theo balança a cabeça, incrédulo.
- É tão difícil assim saber quem é? - e saboreia seu prato.


- Florence, estou cansado de estudar tanta física. De estar toda tarde nessa biblioteca. Você não se cansa? - Theo pergunta procurando uma mesa para ambos.
- Não com você aqui. - Flo diz, seus olhos vagavam entre as mesas, por isso não percebeu como a face de Theo havia ficado vermelha.
  Sentados um de frente para o outro, abriram seus livros. Theo física e Florence química.
- Então, irá me dizer quem é esta pessoa? - Florence pergunta, folheando o livro, procurando a página das cadeias.
- Você a conhece tão bem. É como se vocês fossem irmãs. - Flo, tira os olhos do livro e encara Theo.
- Theo, você sabe que não tenho irmã e nem amigas, por isso diga logo. - E com os olhos cor de mel, encara Theo. Theo desvia o olhar e sorri novamente.
- É você Florence. - Theo diz e seus olhos azuis encaram os dela de mel.
- Theo, eu-eu, eu sou cheia de defeitos, por que você iria pensar em mim assim? - E sem perceber ela enrubesce com a menção de ele estar apaixonado por ela. Theo era lindo e sua covinha na bochecha esquerda sempre a hipnotizava.
- Prazer, eu sou um cara cheio de defeitos também. Ninguém é perfeito, mas você é perfeita para mim, assim.
- Eu não iria saber como fazê-lo feliz. - ela diz e baixa a cabeça, pensando em todas as deixas que Theo havia dado.
- Serei feliz por amar você. Mas não preciso de tanto assim, já sou feliz só de ver você todos os dias e poder olhar esses olhos. - ele aponta para a face de Florence, aproximando-se e exibindo seu sorriso.
- Aprenda a conviver com meus defeitos e entenda que nem sempre serei boa companhia. - ela diz, também se aproximando.
- Eu já conheço seus defeitos, seus trejeitos e só eu sei conviver com eles. - ele diz, com uma ponta de orgulho na voz. Os dois se aproximam mais e um beijo acontece. Não o primeiro, pois eles já eram amigos e ocorria de vez em quando selinhos ou beijos mais profundos, mas não como aquele, que ambos sabiam que seria o passe para uma nova vida. Juntos.

11/03/2011

With me?

 - Porque eu sou uma cigana, você quer vir comigo? - perguntei atrapalhadamente ao passante que me admirava e perguntava o que eu estava fazendo.
 - Oh! Nunca conheci uma cigana. - ele falou, arregalando aqueles olhos puros. E eu sorri em meio aquilo tudo, nunca havia feito um pedido desses.

 - Eu ainda sou uma cigana, Ferderick, e você não quer vir mais comigo.
 - Depois de tantos anos Jamylle, supri meu desejo de sair por aí, sem ter um local fixo, vivendo intensamente, dançando loucamente. Aprendendo com você, mas Jamylle, eu quero uma família, uma casa, um emprego, uma tv, um carro para poder deixar meus filhos na escola, não posso mais viver assim com você.
 - Você me ama? - perguntei.
 - Como nunca amei alguém. - ele respondeu e deslizou seus dedos marcados sobre a maçã em meu rosto, dando-me um beijo e se virou, seguindo seu caminho para mais uma vida, outra vida sem mim.

 Passara-se mais alguns anos, voltei ao mesmo lugar que tudo começou, e inesperadamente em uma noite, vi seu gingado, um celular na mão e na outra uma pasta, estava preocupado. Corri em sua direção, fazendo-o pular com o susto, depois suas feições se suavizaram.
 - O que faz aqui? - perguntou, enquanto guardava o celular no bolso.
 - Bom... - não tive tempo de começar, seu celular tocou, ele retirou do bolso olhou para tela e o recolocou no bolso.
 - Eu sei, você é uma cigana. - ele abre um sorriso convidativo. Eu queria abraçá-lo, pois depois de anos eu ainda o amava ardentemente.
 - Ferderick. Como vai a vida? - pergunto, temendo sua resposta.
 - Vou bem, cansado, tenho um emprego, um carro, uma casa, uma tv... - e seus olhos se voltaram para os meus. - só não tenho uma família. - enrubesci.
 - Sinto muito. - respondi.
 - Mas, sabe, você pode me fazer a mesma pergunta que nos encontramos um dia. - ele pede e outro sorriso invade seus lábios.
 - Eu sou uma cigana, você quer vir comigo? - perguntei.
 - Não foi bem assim, mas. - me tomando nos braços.  - Eu desejo passar o resto da minha vida ao seu lado, por todos os lugares, onde quiser estar eu estarei. Porque eu também me tornei um cigano no momento em que você entrou na minha vida. - falando isso, me beijou e toda a saudade que estava adormecida se evaporou, trazendo de novo, aquele tremor em meu estomâgo toda vez que estava próxima a ele.
 -  Eu o amo. - conclui.


27/02/2011

Ele se transformou

-Eu te dei tudo o que eu tinha. - dissera o pai de Cleber. Irritado com a situação em que se metera, irritado com o que o filho tão amado dissera.
- Ele se transformou... - gritava sua mãe, cristã fervorosa, rezando com todas as forças, chorando pelo filho, mas o filho não queria a pena deles, não queria que o aceitassem. Ele queria ser ele mesmo e foi ser.


 Apanhou um pedaço de papel e escreveu rapidamente o nome e o telefone esperando que aquele cara com olhos azuis o ligasse realmente. 
 Duas semanas se passaram e ele nem ligou...
 Cleber assombrou, provocou...Ele aproveitou.  Cleber se arriscou, contra os preconceitos, contra a julga dos outros. Cleber reinventou seu conceito de vida, sua escolha, sua FELICIDADE.
- Já me chamaram de vários nomes, já me disseram pra desistir de sonhos, pra que eu criasse vergonha na cara e parasse de ser tão baitola. Você acredita? Baitola? Eu sou gay. - ele dissera pra sua melhor amiga, Angelina. Aquela com que os sorrisos o faziam sorrir e acreditar. Sempre riam das babaquices, moravam juntos, Cleber lhe contando suas atrapalhadas, Angelina contando seus amores mal- resolvidos.
- Já me disseram pra deixar de amar, já me disseram pra deixar de ser sua amiga, porque você seria uma má influência. Cara, olha, e eu ainda tô aqui, inventando de ser sua melhor amiga. - eles riem, riem deitados na cama. Cleber falando do tal cara para quem dera o telefone um dia, esperando seu retorno, ele não desistira. Sonhava acordado com ele. E sorria.
- Não vou deixar de sonhar por causa disso, eu sou uma prova concreta de que basta encarar, confiar e realizar. - foi o que dissera, antes de se recriar. Antes de se enfeitar, antes de se reinventar...antes de ir se divertir.
 Cleber era assim um comum de dois.




P.s.  Inspirado, boa parte na música  Comum de dois - Pitty.

24/02/2011

Don't cry to me

 - Não chore por mim. Se você me amasse, você estaria aqui comigo. - Ingrid dissera a Rick, um contato visual curto ocorreu entre os dois. Ingrid baixou a cabeça, se esquivando daqueles imensos olhos cinzas.
 - Não posso continuar acreditando, estamos apenas nos enganando. - esganiçou, deixando transparecer as translúcidas lágrimas que lhe corriam a face. Era o que Rick sempre falava.
 - Estou cansada das mentiras. - Ingrid abafa um gemido de dor, encara os pés tortos, sentindo-se curvada, como sempre acontecia perto de Rick, se sentia submissa. Respirou fundo e endireitou os ombros, sentiu sua auto-estima se elevar no ato. E no momento um riso ecoou de seus lábios, fazendo Rick se sobressaltar, encarando os olhos cor de mel de Ingrid. - Deve ser cansativo perder seu próprio jogo. - disse, ajeitando os pés da maneira correta, pronta para ir embora sem olhar para Rick.
 - Você me quer. - Rick disse, não estava mais chorando, sua voz parecia brincar na sua garganta.
 - Você está muito atrasado. - Ingrid encarou seus olhos cinzas sem temer dessa vez, e sentiu a vitória se abater sobre ela, pulava por dentro, vendo o quanto estava forte, o quanto sabia que podia resistir a ele.
 - Não minta pra mim. - ele quase gritou, fazendo Ingrid rir alto. Rir muito alto que sua barriga chegou a doer dos espasmos.
 - Como eu pude? - ela pergunta para si mesma, ainda sentindo seu rosto vermelho por conta dos risos. - Você já não pode mais bancar a vítima dessa vez. - concluiu e fez um movimento com a cabeça, retirando as mechas que lhe caiam sobre o rosto. Friamente acenou um tchau para Rick.
 - Então, talvez você pudesse lembrar de si mesma. - ele gritou. - Faça sua escolha, Cindy. - neste momento Ingrid se voltou, ouvindo o apelido carinhoso que sempre usavam. Balançou a cabeça e seu sorriso se estendeu pela cara.
 - Eu fiz sua escolha, Rick. EU fiz. Eu devia deixar você cair, mas apenas pegue suas coisas...e...CAIA FORA. - gritou bem alto e correu rua abaixo, fazendo seu riso outra vez ecoar, fazendo Rick cair em prantos de verdade, dessa vez ele não a enganara, não conseguira.
 - Está tudo acabado, tudo acabado. - falou pra si e as lágrimas caíram mais uma vez, lágrimas de verdade. Ingrid se fora pra sempre, ele não tinha mais poder sobre ela.
  Enquanto corria, Ingrid passava tudo outra vez na sua cabeça, tendo a certeza que fizera o certo, se sentindo livre. Sorriu pra si.
 - Está tudo acabado, tudo acabado...finalmente. - e respirou como nunca antes.



06/02/2011

Half of my heart

 - Você não pode partir um coração partido. - foi o que eu disse ao encontrá-lo da última vez, naquela praça deserta, em que nossos olhares se abraçaram tamanha a saudade, mas meu coração doía em cada passo. Com a conversa fluindo, essa foi a única resposta pra tudo. Meu coração já estava partido antes de ele tentar partir de verdade. Meu coração sofria com as mentiras exageradas e o sorriso errado, sorriso falso. Era o que mais me doía.
 - Eu a amo Claire. Tudo que amo é você. Eu percebo que em um quadro sem voz você pinta o amor que eu não te dei. Uma dor secreta...Mas tudo que sou é você. - ele diz, minha garganta se fechou na hora, lágrimas teimavam em invadir meus olhos. Apesar da dor, apesar do coração partido eu o amava.
 - Mas você mentiu pra mim. Você mentiu antes mesmo de dizer uma mentira de verdade. - eu disse, encarado seus lábios trêmulos. Meu coração batia fortemente sob a caixa torácica, envenenando minhas veias com uma dor que ninguém conhecia.
 - Claire, não houve nada depois de você...como você... - ele suspira. - Eu não tive intenção de mentir para você, eu só estava confuso, achando que o que sentia poderia me prender a você. E eu pensei que assim não poderia machucá-la.
 - Mas machucou. E muito Luke. Muito antes de você dizer a palavra que já vinha latejando na minha cabeça. - foi minha palavra final, corri meus olhos por seu rosto e o vi retorcê-lo de dor, virei-me e comecei a correr. 
 - Claire, por favor. - parei, sem olhar para trás. Olhar em seus olhos seria o ápice.
 - Não Luke. Eu já decidi. Não quero ver meu coração quebrado em pedacinhos. Quero vê-lo curado, apesar de amá-lo é melhor não ficarmos juntos, pois com você meu coração vai ser partido sempre e sempre. - apertei os olhos, forçando a não queimarem tanto e voltei a correr. 
 Corri em direção ao pôr- do- sol. Essa conversa partiu mais um pedaço de mim, mas não foi meu coração. Foi minha alma.

19/01/2011

Eu, você e o mundo inteiro.

 - Imagine tudo que nós poderíamos fazer. - James me induzia a aceitar a mais longa viagem de carro da minha vida. Passear por todos os estados, arrumando algo ali e acolá. Além de usar o dinheiro da poupança para a faculdade, mas ele insistia em dizer que seria uma experiência única.
 - Não sei, amor. Parece loucura. - disse, pensando em como meus pais surtariam.
 - Só você, eu e o mundo inteiro. - falava, repuxando o tecido da camisa preta desbotada que ele estava, sorri ao ver o boné que ele estava, o que eu "transformei". Ri um pouco e balancei a cabeça, já me arrependendo atencipadamente da decisão.
 - Bom,também tem o carro e as estradas longas. - suspirei, fazendo uma cara de lamento para ele. - Mas, adoraria viver essa experiência com você.
  Joguei tudo dentro de uma mala enorme, minha mãe não fez nada, parecia me enxotar porta a fora, acho que ela pensava que eu me arrependeria e voltaria correndo.
  Beijei-a e me despedi, sabendo que ela ficaria bem.
 - Vamos. - puxei o braço de James, correndo até seu carro.
 - Claro, senhorita Elizabeth...Taylor. - ele falou, reverenciando-me. Ri ainda mais por ele ter usado seu sobrenome. Entrei no carro e o beijei ferozmente, sabendo que teria ele comigo, por muito tempo...

17/01/2011

Finalmente férias... de você.

 As horas passam e você continua inutilmente aqui, estas férias prolongadas estão me incomodando.De verdade.
 Você diz que eu tenho mudado,que eu tenho injustamente te chutado do colchão. Ah, cara, fala sério. Na próxima vez que você apontar um dedo eu posso ter que entortá-lo , porque eu não estou aqui para ser comandada por você. Esta é a última segunda chance , nessas férias, você tem a chance de conquistar-me de novo, de respeitar-me novamente, mas se não eu vou dizer na sua cara um NÃO.
 Eu não sei se digo que bom, mas você está sendo um completo cavalheiro esses últimos dias. E enquanto eu vou pra praia e você faz questão que eu apoie a cabeça em seu colo, meu riso vem sem necessidade, porque algo está realmente leve em meu coração. Meu namorado, você deveria ser meu porto seguro, porque é assim que deve ser. O que eu faço?
Uma semana se passou, e tudo que restou foi irmos ao campo, na fazenda de sua família. Você me exibia como um troféu ao chegarmos, e eu inocentemente não me importei. Charlie, é uma questão de sobrevivência? 
 Sua avó confundiu meu nome. Meu nome novamente, com uma tal de Carol. Meu nome é Eliza, tão fácil, simples...
  Quantas você já trouxe aqui? Eu me pergunto novamente o que eu faço... o que eu faço.
 Eu sei que você não acredita em mim, mas se você vier com suas injúrias para cima de mim, eu vou ter que mostrá-lo ao espelho. Agora, peço desculpas e lincença, pois as minhas férias de você acabou de começar. Sozinha, em um mundo enorme, é onde eu vou estar. Peço outra vez desculpas por ser tão rude. Mas o que você era, não é mais, agora irei de deixar em paz e vou ali ser feliz.

Leia com a música ligada : 

04/01/2011

True love.

   Acredito que eu vivi muito...por muito tempo em um mundo de sombras onde só você me trazia um pouco de luz. Quando você  me dizia que eu era seu mundo, eu estremecia querida. Nunca alguém me disse isso em vida, ainda mais na morte, nesta morte que eu VIVO.
   Eu não quero ser nada, além de mim. Eu não quero viver me escondendo, me desviando, me segurando para não atacar alguém, para não atacar você principalmente. Seu sangue que pulsa forte na minha presença, enquanto seus olhos verdes me aquecem e eu me pergunto porque isso tudo é real, eu nem deveria existir.
   Eu não quero ser esse vampiro que persiste em querer ser feliz, impossibilitando sua vida, doce Genevieve.
 - Você está bem Sebastian? - ela pergunta, enquanto mexe nos cds que ando escutando. Rock.
 - Sim. Então, como está no trabalho? - eu pergunto, deixando meus devaneios para lá.
 - Só alguns acidentes. Você tomou o...é... - ela não consegue dizer sangue, como se tomar sangue fosse repulsivo. Na verdade é, mas é preciso.
 - Sim. - falo e mexo no cabelo que pendia na minha testa.
 - Pequeno. Algo está te perturbando? - eu olho para seus lábios se movimentando, vendo os vasos sanguíneos, e meu olhar fixa-se na veia que pulsa forte em seu pescoço, ela estala algumas vezes os dedos na minha frente, fazendo doer meu tímpano.
 - Você não está bem. - ela conclui. Enquanto vai a geladeira, eu rapidamente saio, sem fazer barulho ao passar pela porta. Genevieve, ficaria bem sem mim, ficaria melhor sem mim. Ouço o barulho dos seus passos correndo sobre a escada, mas já estou longe.

DOIS ANOS DEPOIS.
 - Eu não esperava te ver aqui tão cedo. - Genevieve fala, enquanto tiro a jaqueta molhada, seus olhos estão profundos e sérios. Uma aliança cintila em seu dedo, perfurando meu coração parado. Ela abre a porta e deixa uma passagem apontando com a cabeça que eu entrasse. Sem querer seus dedos tocam meu braço, deixando um rastro quente. Exalo o cheiro infectado no pequeno apartamento, de mais alguém...
 - Como você está? - pergunto. Ela dá um pequeno sorriso e bebe algo de um copo que estava parado na mesa central.
 - Vivendo. - ela responde e se cala, olha para todos os lados, mas não me encara. Enquanto eu reparo cada detalhe mudado na sua feição. Nada que me impeça de amá-la ainda. - E você? - pergunta por fim, segurando o copo com tanta força, que por um momento pensei se ela fosse uma vampira, o vidro já estava dentro da sua suave pele.
 - Eu...me encontrei. Me vi, me apaixonei por mim. - falei filosoficamente. - Agora eu sou eu, nada mais além de mim mesmo. - sorri e ela tímida e educadamente sorriu comigo, mostrando sua cova na bochecha esquerda. Desviei o olhar.
 - O que o fez retornar aqui?
 - Vim aqui... porque, queria poder vê-la mais uma vez, antes de ver o nascer do sol. - Ela exita e contorna o copo com o dedo trêmulo, sua respiração se torna entre cortada e ouço seu coração se acelerar. Ela prende algo na garganta, franzindo os lábios. Vou ao seu lado e beijo suas bochechas, sua testa e levemente seus lábios frios. Encaro seus olhos uma última vez e saio sem dizer mais nada, mas ainda escuto seu sussurro.
 - Eu te amo. - foi sua frase final.
    Corro para o prédio mais alto esperando o sol chegar em sua plenitude. Eu me encontrei e vi que por ter essa vida, eu deveria ser justo e acabar com ela, antes que eu pudesse machucar aquela a quem eu sempre amarei até o momento final...Genevieve.
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27/12/2010

Doces olhos

 Enquanto seus olhos, de uma certa forma, via minha alma. Eu me encontrei em seu olhar. Caminhando com você, segurando sua mão gentilmente na minha. E um sorriso, esplêndido, nasce de seus lábios macios e ternos.
- O que você está pensando? - você pergunta, mexendo no cabelo.
- Em você. - eu digo e você para por um momento, apoia-se em um cotovelo e me encara. Com o mesmo sorriso nos lábios. Eu fico ali, olhando, pensando. Seus olhos que de uma certa forma me conhecem melhor que eu.
- Lilly. Eu amo você. - digo. Deixando que o silêncio não nos incomodasse, enquanto você continuava a me olhar, de sua forma explícita, incomoda.
- Eu também te amo Mikael. - você diz, e vejo suas bochechas ruborizadas. Raios do sol intensificam o ruivo dos seus cabelos. E eu rio. Rio pra você e pra mim. Agarro-a e olhando além dos seus olhos, me vejo outra vez. Com você, longe, distante no tempo, mas ainda unidos. E eu sabia que você seria minha para sempre.
-Eu amo você eternamente. - falo, e beijo-a ternamente. Deliciando-me com o doce açúcar de seus lábios. E você ri. Me abraça.
- Pra sempre. - diz, e solta um suspiro longo, como se aquilo fosse a maior felicidade para si. Para ambos, eu quero dizer...
 E seria.

01/12/2010

Same mistake

 Eu tentei falar, mas ela não quis me ouvir. E continuou com o mesmo erro de sempre, se jogando entre os garotos, se esgueirando pelas portas dos quartos deles, me contando as loucuras que aprontava. 
 Eu tentei avisá-la que aquilo tudo teria um preço, mas ela não me escutou, ela não deu valor. Hoje, enquanto vejo seu corpo sendo velado me pergunto se ela se arrependeu das coisas que fez, não nos falávamos mais, como eu saberia? Depois de um tempo, eu criei minha família. Filhos, marido, felicidade. Talvez eu a tenha esquecido, mas ela não era minha propriedade, não poderia fazê-la mudar, ela arcou com a sua própria vida, seu peso.
- Vocês eram muito próximas? - Uma velha senhora, parecida com sua mãe, me perguntou quando eu estava dando meus pêsames.
- Não como eu esperava. - eu disse, engolindo o nó que insistia em mexer com minha bile. James, Tiel , os únicos caras que de verdade te amaram, e você não os deu o devido valor. Por que Liandra? São os únicos, além de mim, que se diferem da sua família.
 E eu me pergunto, de que valeu eu ter avisado tantas vezes? Nada.
- Ela teve o que mereceu. - um jovem rapaz, acredito que seu primo distante, sussurrou em meu ouvido, ousando falar isso pra algum outro. Eu o encarei, tentando encontrar uma resposta rápida. Mas era a verdade. Você pagou o seu preço.
- Não devemos julgá-la. - eu disse, e forcei um sorriso rápido, lágrimas se espalhavam pela minha face.
 Você foi minha melhor amiga, mas se afundou no mundo das drogas, do sexo, dos vícios noturnos, e eu me recolhi, me protegendo.
- Me perdoe. - sussurro e me retiro, sem esperar que a enterrem, não quero ver seu corpo ir para baixo da terra, sabendo que eu devia ter pedido ajuda, minhas palavras não bastavam...