Mostrando postagens com marcador Mais uma música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mais uma música. Mostrar todas as postagens

13/03/2011

Mais uma música - Parte final

 - Por mais que eu queira que você escute a minha última música para você, isso seria doloroso para ambos. E já chega fazê-lo sofrer assim, dessa maneira, dizendo na cara que não o quero. - balbuciei para Bernardo, que mantinha seus olhos turvos, jogados dentro de um vazio, que eu conhecia tão bem.
 - Bernardo, sei que irá me odiar, irá dizer que o usei, que queria chamar atenção, mas não. Tudo que passei com você foi simples e verdadeiro. Você me manteve viva.
 - Ei Selena! Pare de explicar as escolhas do teu coração, isso eu posso aguentar. Mas você escondeu a história de vocês de mim, até aquele idiotas dos seus amigos sequer mencionavam isso. - ele disse, segurando firme meu rosto para encará-lo, o vazio ainda se mantinha lá.
 - Bernardo eu o amo, mas não da maneira que esperaria. - falei. Ele sorri e beija minha testa, me puxa para um abraço e sussurra em meu ouvido.
 - Essa é sua última música para mim. Essa sua sinceridade é a batida da bateria, essa sua suavidade misturada com temor são os sons da guitarra e esse adeus é o som do piano que toca ao fundo de toca bela canção. - falando isso me abraçou mais forte. 
 Essa foi a nossa música, com seu príncipio, meio e inevitável fim.

- Chuck, sua mão! - exclamei, enquanto ele gargalhava.
- Amor, posso passar a noite aqui? - pergunta e com a outra mão aperta a barriga.
- Não sem antes me dizer o que houve com você. - estiquei o dedo apontando a mão machucada.
- Só fiz o que a muito tempo deveria ter feito.
- Não, não, não. Chuck! Você conversou com o Fernando? - pergunto, já entendendo tudo.
- Ele pelo menos conversou com a minha mão. - diz e cai na gargalhada outra vez.
- Não Chuck, isso...sei lá. Você são AMIGOS.
- Selena, não fiz isso por você, foi por mim. Eu não confiei em você e deu no que deu. Só coloquei meus limites para ele, ele continua, ahn...meu amigo, mas não chega mais perto da minha namorada. - me beija.
- Eu te amo seu idiota. - falei... - Peraí, se ele não vai mais falar comigo e nem chegar perto, como que fica a banda?
- Depois eu penso nisso. - e mesmo com a mão machucada, ele me puxa para mais um beijo.


ÉE, gente, me sinto realizada com o fim desse conto(história). Mas sei que todos nem sempre gostam do "fim", sei que poucos, acompanharam de fato "Mais uma música", mas quer deixar sua opinião? Qual seria o seu fim para a história? . Obrigada a todos, pelo carinho de me acompanharem nessa jornada de escrever e sentir.

10/03/2011

Mais uma música - Parte 10 (penúltimo)



 Atendo o celular, minha face queima diante de tal atrevimento. Eu estava desconfiando que Chuck chegaria a esse ponto,a  me confessar algo, mas minha garganta estava fechada.
- O que você quer? - perguntei bruscamente.
- Nossa. Calma. Só queria saber como está.
- Bernardo, podemos conversar depois? Seriamente? - pergunto ansiosa.
- Sim, tudo bem. - e foi, desligou antes do meu tchau.
 Me virei para Chuck novamente, sua expressão estava impassível, fazendo com que eu fique com raiva. Por que, como tal que é, teve o desprazer de me convidar sem querer? Fiquei pensando e quanto mais eu pensava a raiva subia, eu sabia que o amava, que nunca deixei de o amar, mas a raiva aumentava.
 - Chega. Olha, Chuck, eu era sua namorada, eu confiava em você em todos os segundos, deixava você sair com seus amigos, porque eu sabia que você seria fiel a mim e quando o idiota do Fernando fala que eu fiquei com ele, que eu te trai com ele, ao invés de você dá uma porrada nele por insinuar isso, você vem me perguntar e quando eu falo que não, que eu não trai. O que você fez? Você lembra? Você NÃO CONFIOU  EM MIM. Chuck eu o amava, porra. Te amava muito, sofri muito, chorei, mas para você, pela sua promessa continuavámos sendo amigos, só que pra mim não era. Doía sempre que eu te via. 
 - Não parece que dói agora, não parece que dói quando você está com esse tal de Bernardo. - eu o encaro, seus olhos parecem duros, vidrados. Suspiro.
 - Chuck, ele foi o único que pode me trazer um pouco de paz, foi o único que conseguiu colocar um band aid no lugar que você deixou um buraco. Ele foi o único que me fez sorrir sem pensar em você. Por que eu não me sentiria melhor com ele?! - falo e sem perceber lágrimas escorrem por meu rosto, manchando a maquiagem. Eu queria me debruçar sobre meus joelhos e me apertar ali, ficar ali até que a dor cessasse.
 - Eu te amo. - Chuck sussurrou. Estremeci e mais lágrimas quentes saiam dos meus olhos. - Eu sempre te amei, Selena. Desde o momento em que a vi tocar piano, desde o momento em que vi seu sorriso. Eu era um porre, um idiota por não ter chegado no primeiro instante em você, esperei aquele "trombo" acontecer. Eu esperava que acontecesse todo dia. Eu te tive, eu te perdi por minha conta. Eu não confiei, foi vacilo meu, admito. Mas quando eu vi o Fernando falar de você, de como você beijava, meu sangue ferveu, eu acreditei piamente...Eu te perdi. - sem esperar que ele continuasse, o beijei fortemente, pressionando seus lábios, a saudade me invadindo, o doce hálito entrando em minha boca. Eu apertei meus olhos para que aquilo não fosse um sonho. 
 - Eu te amo. - sussurrei em seu ouvido. E o abracei. Eu sabia que aquilo poderia mudar, eu sabia que tinha sido pouco tempo longe, mas doeu, um dia parecia um ano.
 - O que faremos com o Fernando?
 - E o que eu falarei para o Bernardo? - ficamos assim, com as duas perguntas pairando no ar, enquanto nos olhavámos, desta vez, profundamente. Deixei um sorriso escapar dos meus lábios.
 - Estou um horror. - falei, enxugando meu rosto.
 - Você está linda, sempre fica linda de qualquer jeito, ainda mais assim, com essa maquiagem borrada nos olhos. Fica...sexy. - rimos e ele me beijou desta vez, me puxando para o seu colo e eu apenas cedi, deixando aquele momento acontecer.
(contnua)



ÉE, sério,estou acabando. Não sei se alguém terá paciência para ler essa parte, mas isso, para mim, é mais uma realização pessoal. beijos a todos e bem-vindos novos seguidores.

06/02/2011

Mais uma música - Parte 9

 - Oi. - eu disse, olhando para aqueles olhos que estão fazendo as borboletas dançarem em meu estômago.
 - Ahn. Oi. - ele disse, dando um leve sorriso e eu vi algumas rugas em seus olhos. Sorri em resposta, pedindo que entrasse.
 - Selena, não vou demorar muito. Ahn...Você estava dormindo? - olho para baixo e vejo que estou com o pijama, que havia me esquecido no momento em que vi seu rosto na porta.
 - Não, só estava deitada. - digo, balançando a cabeça.
 - Ótimo. Espero que você se arrume rápido. Quero que você faça um favor pra mim. É...Poderia fingir ser minha namorada por uma noite? - aquela pergunta me pegou de surpresa, fiquei parada olhando seu rosto, vendo o piercing em sua sombrancelha se sobressaltar.
 - CHUCK. - grito, reagindo finalmente. Aquilo era uma loucura, mas mesmo assim meu coração não entendeu e dava pulos em meu peito.
 - Prometo que será só hoje. Eu, é, eu preciso de sua ajuda Selena. - repenso seu pedido, mas ainda assim nego interiormente. Eu não podia. Não podia fingir ser sua namorada, enquanto meus braços clamavam pelos deles, enquanto a dúvida percorria minhas veias. Fazendo-me querê-lo e ao mesmo tempo, fazendo esquecê-lo. Porque eu tinha o Bernardo. Eu O tinha.
 - Não posso. - respondi por fim. Sua expressão ficou sombria e ele fechou a cara, caminhando para a porta. Eu não me virei quando ele passou por mim. - Sabe, você nunca me perguntou porque eu comparei sua perda da flauta com a venda de um piano. - Ouvi seus passos silenciarem, sabia que ele segurava a maçaneta da porta, engoli em seco, fechando os olhos.
 - Eu sei Selena. Eu sempre soube porque você falou aquilo. Você era muito boa no piano, era sua companhia. Quando você ia para a sala de música eu a acompanhava e via você tocá-lo. Eu sempre soube a respeito do seu piano, por isso você sofreu tanto com a perda do Dean. Por isso... - ele para de falar, ouço sua respiração aumentar de volume, queria me virar e abraçá-lo, mas me segurei ali.
 - Tudo bem. É só uma noite. Argh. Espera, vou me arrumar. - não olhei pra ele. Corri em direção ao quarto e escolhi uma roupa aleatória, mas no momento em que a vesti, vi qual era. A roupa da última noite que ficamos juntos, bem.
 Me maquiei rapidamente e calcei um all star rosa. Passei perfume, me arrependendo na hora, pois era o mesmo que usava quando estava com ele.
 - Selena?
 - Já estou... - ele estava parado na porta do quarto, me encarando, estupefado. - indo. - sorri.
 - Você é...você está linda. - ele vinca a testa e desvia o olhar, como se lembrasse da ocasião em que eu estava com aquela mesma roupa. - Vamos? - ele chama e sai deixando a porta aberta. Dou de ombros e o sigo.
 - Agora você pode me explicar porque eu tenho que fingir ser sua namorada essa noite? - pergunto quando já estamos dentro do carro. Ele me olha, observo o modo dos seus olhos e estremeço. Era a maneira que ele me olhava quando sentia saudades, quando queria me abraçar...quando queria me beijar delicadamente, dessa vez eu desviei o olhar e encarei o espelho retrovisor.
 - Não é nada de importante. É que é um encontro de casais e eu não queria estar só. Sabe. Você só me fará companhia. - ele responde e dirige em alta velocidade como de costume.
 - Só não entendo, por que eu? - pergunto baixinho, ele diminui a velocidade e tenho certeza que ouviu minha pergunta.
 - Porque nós dois juntos ninguém desconfia de que não somos namorados. Parece...uma...
 - Conexão. - completo.
 - Isso. Selena, eu... - eu prendo a respiração, esperando ele continuar, mas meu celular toca. Era Bernardo...
(continua)



Para ver as partes anteriores, clique no marcador ao lado. 

30/01/2011

Mais uma música - Parte 8

 Sempre amei música. De qualquer tipo. De clássica até aquele brega insuportável, mas eu não ouvia o estilo, mas a melodia, a letra, me encantavam, sempre me encantou.

 - Bernardo, obrigada por tudo. De verdade.
- Hmm. Eu fiz isso tudo porque quero ouvir mais uma música. - ele diz e me puxa pela cintura. Seu beijo é leve, seus lábios macios...me lembram...me lembram... Paro o beijo e o pergunto qual música ele quer ouvir.
- Dos seus lábios nos meus. - sei que meu rosto esquentou, baixei a cabeça e peguei a chave de casa no bolso junto com as palhetas.

 Enquanto estava no banho, pensei em como me enganara, dizendo que já havia esquecido Chuck.
 Ele fingindo ser meu amigo...não era bem o que eu esperava de "você esquece que namoramos." blábláblá. Eu amava Chuck de todas as maneiras, mas me enganava achando estar apaixonada por Bernardo. O cara mais gentil que eu conheci.
 Me lembro de uma semana depois que Chuck e eu nos falamos pela primeira vez.

- Sabe,fiquei pensando na sua perda. Não sei como reconfortá-la. É difícil perder algo assim. Me lembro da minha...er...flauta. - suas bochechas ficaram vermelhas, e com um rápido olhar meio vesgo ele encarou meus lábios, como se esperasse que eu risse, mas eu fiquei ali, esperando que ele continuasse. - Eu devia ter uns seis anos quando minha flauta quebrou, ela era minha companhia, como poderia viver depois disso? - ele dá de ombros e um meio sorriso.
- É como ver sua mãe vender seu piano. - falei e sai, não tinha tempo para ele e um friozinho na barriga me incomodava quando estava na presença dele.
- Talvez isso seja pior. - ele segue-me, seus passos acompanhando os meus.
- Chuck, você sabe meu nome, pelo menos? - eu pergunto, parando para encarar a incredulidade estampada em seu rosto. - Olha, só porque você sabe do Dean não é obrigado a falar comigo. - falei grosseiramente.
- Selena, eu não me sinto obrigado a falar com você, mas a oportunidade surgiu e era o que eu mais queria. 

Deitada na cama, vendo meu domingo passar, alternei meus pensamentos entre Bernardo e Chuck e em algumas brechas no garoto problema, Fernando.
 Alguém bate a porta, me pergunto quem será, estou de pijama, o mais largo que eu tinha no armário.
 Olho pelo olho mágico e um aperto na boca do meu estômago me incomoda, outra vez...



 Para ler as partes anteriores a essa, veja nos marcadores, aqui ao lado :) Grata desde já.
Beijos a todos

.

21/01/2011

Mais uma música - Parte 7

Leia antes as Partes 1, 2, 3, 4, 5 e 6 (será rápido, pois todas as partes são pequenas.)


 - É verdade? Que ele fez isso? - pergunto a Bernardo e abro os olhos.
 - O quê? - ele pergunta, confuso. 
 - Chuck. Ele não fez nada mesmo?
 - Por que ele faria algo? É igual a todos os outros, te enxergam como uma garota manipulável, sendo que você não é, deveria mostrar isso.
 - É. É verdade. - não ouço mais o que ele diz e apenas volto mais no tempo, a nostalgia me tomando.

 Chuck era o cara mais descolado da escola. Eu nutria um amor platônico por ele. Sempre que ele passava por mim. Eu sorria e ele levantava as sombrancelhas, como um cumprimento. Até que um dia nos esbarramos. Eu tinha andado chorando e ainda enxugava algumas lágrimas. Pedi desculpas e comecei a caminhar, quando ele puxa meu braço e me vira para encará-lo. Passou os dedos pelas marcas que as lágrimas haviam feito.
 - Qual motivo das lágrimas? - perguntou, alternando seu olhar para meus olhos e o corredor.
 - Meu violão, foi simplesmente destroçado. Meu querido Dean, morto.  - ele arregalou os olhos. - Dean é...era meu violão. - explico. O sino toca, com um sorriso rápido e um abraço fraco ele se despede, mas pouco depois ele vira e grita.
 - Sinto muito pelo seu Dean.
 Foi assim que tudo começou. Com lágrimas e terminou em lágrimas.

- Selena, está bem? - Bernardo pergunta, puxando-me para fora das lembranças.
- Sim. Só...quero ir pra casa. - ele assente com a cabeça, liga o carro e dirige. Eu fico em silêncio o trajeto inteiro. Aquilo tudo mexeu comigo (...)


 - Quero agradecer o 

14/12/2010

Mais uma música - Parte 6

Para entender , leia antes as Partes de 1 a 5.



 - Eu não entendi uma palavra do que você disse depois do não. - ele falou e sorriu. Desligou o carro e sem esperar por nada, ficamos ali. Ele com as mãos no volante e olhando para frente e eu o encarando. Mexi em seu cabelo, mas acabei adormecendo.

 - Sabe o que eu acho incrível? Nenhum dos seus amigos  impediu aquele lá te agarrar. SÓ EU. E quando você dorme o único nome que fala é Chuck. PORRA. - Bernardo não sabia, mas já fazia alguns minutos que eu acordara e estava escutando-o. E ele estava falando palavrões, coisa que ele evitava sempre.
 - A culpa não é minha. - sussurrei. Tudo ficou quieto e ele acariciou minha face, beijou de leve minha testa.
 - Me desculpe. É só que... caramba. Eu estou com ciúmes. - se Bernardo soubesse, seu ciúme seria real, bem mais real.

2 meses antes
 - Eu não vou - falava repetidas vezes. Olhar para baixo era um tormento, embrulhava meu estômago. Chuck estava ao meu lado, esperando que eu pulasse.
 - Então terá que me contar uma verdade. - ele gritava.
 - Tudo bem.- respondi.
 - Você me traiu com o Fernando? - olhei-o desconsertada. Como ele poderia pensar isso?
 - É claro que não.
 - Pois não foi o que ele disse. - e então, ele me empurrou. Eu caia cada vez mais rápido, uma dor infernal na barriga e o suor frio me atrapalhavam. Algo me puxou para cima e comecei a descer lentamente. Eu estava deitada no chão no emaranhado de cordas e Chuck deu seu veredito.
 - Você esquece que namoramos e eu esqueço sua história com o Fernando. E continuamos todos amigos. - foi o ponto final. Meu coração quebrado aguentou até eu conhecer Bernardo, o único que fazia parecer que me coração estava completo, outra vez...

-------------------------------------------------------------------------


01/12/2010

Mais uma música - Parte 5

Para entender, leia antes as Partes de 1 até a 4


 Que droga,pensei, aquele idiota me drogou.
 - O que ele fez comigo? - perguntei, vendo como poderia ser mais de quatro da madrugada. Havia pessoas ali fora. Se pegando, bebendo...Ai meu Deus.
 - Não permiti que fizesse nada, você estava inconsciente. - Bernardo olhou-me e seguiu meu olhar. Ele soltou um riso baixo. - Sempre fazem isso. - disse.
 - Sem noção. - soltei. Me recostei em seu ombro.
 - Caraca. - Cleber exclamou atrás de mim. - Parece até um quarto público.
 - Vamos. - Bernardo sussurrou e me fez entrar em um carro preto.
 - Lindo. - falei e sorri.
 
  Paramos em frente a casa de Cecily.
 - Cleber, você vai ficar aqui? Com a Cecily? - perguntei, vendo-o hesitar na porta do carro.
 - É melhor. Ela ainda não está tão bem. - sorri, vendo que dali sairia mais um casal.

 - Opa. - exclamei, quando estacionamos em algum lugar, LONGE DA MINHA CASA.
 - Vou deixar você em casa. Se quiser. Eu só. Bem. Você gosta desse Fernando?
 -NÃO. - gritei. - YOU ARE SO STUPID. I LIKE YOU. - gritei ainda mais alto, fazendo minha garganta arder e vi Bernardo inclinar sua cabeça para mim. Engoli em seco, irritando a garganta. Será que fiz alguma burrada ?

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------


23/11/2010

Mais uma música - Parte 4

Para entender, leia antes Partes 1, 2 e 3.

 Alguém tira os fios soltos que estavam grudados, em meu rosto. E um friozinho seguiu a mão, enquanto ela deslizava por as maçãs do meu rosto, acariciando com um dedo. Sorri involuntariamente.
 - Pelo menos um sinal que te faço feliz. - disse Bernardo e abri os olhos, vendo que a festa se dissipara. Cleber ainda se encontrava conosco. Cecily estava deitada em seu colo. Várias garrafas de cerveja, vazias, estavam sobre a mesa a minha frente. Olhei para Bernardo, um desejo surgiu. Eu queria beijá-lo ali mesmo.
 - Oi. - falei, tentando reprimir o desejo da minha voz.
 - Você não pode ir só para casa. Levarei vocês todos as suas respectivas casas. Vamos. - ele disse, gentilmente.
 - Mas você também bebeu. - disse.
 - Sim, mas foi um único gole e faz um bom tempo. - falou, puxando meu braço para cima de seu ombro e segurando minha cintura. Desci o olhar, vendo meu casaco no chão.
 - Meu casaco. Pega, por favooor. - falei, arrastando um pouco as palavras, eu me sentia ainda sonolenta e a cabeça latejava. Ele suspirou e abaixou, pegando-o. Colocou sobre o meu ombro.
 - O que tinha naquela bebida? - ele pergunta, visivelmente irritado. Cleber nos seguia, levando Cecily em seus braços. Ela gemia algo incoerente, enquanto Cleber a admirava. Nunca pensei... - Não vai me responder? - Bernardo altera um pouco a voz, contraindo o maxilar ao fechar a boca. Que lindo...
 - Eu não sei. Você não viu quem colocou no copo para mim? - pergunto, cansada. Que horas seriam?
 - Talvez o cara que tentou te agarrar a noite inteira. Ele tava muito chapado. - Me agarrar, me agarrar? Parei e fechei o punho. Quem em sã consciência - ou bêbado - tentou me agarrar?
 - Quem? - perguntei, voltando a andar. Bernardo me puxou, enquanto eu resistia a nossa pequena caminhada até a saída.
 - Aquele cara, acho que é o Fernando.
...



19/11/2010

Mais uma música - Parte 3

Para entender, leia antes Parte 1 e 2.

 - Ficou perdida? - perguntou Cecily, quando me sentei com um copo de vodka na mão. Não me causara efeito algum o terceiro copo. Eu ainda procurava Bernardo em meio aqueles corpos suados e dançantes.
 - Não, só estava descansando. - gritei para que ela pudesse ouvir. Puxou meu braço, fazendo com que eu derramasse um pouco da bebida. Olhei-a confusa, ela me guiava em meio ao salão, desviando-se dos corpos, falando sem parar, mas eu não entendia nada, não ouvia. A música estava tão altamente pulsante que meu corpo tremia. 
 No final chegamos a uma parte mais vaga do salão, mais tranquilo. Meus amigos estava ali, rindo e bebendo em um círculo. Congelei. Bernardo também estava lá. Joguei meu copo em uma mesa próxima e mostrei o melhor sorriso ao me aproximar.
 - Ficou perdida? - Aaron faz a mesma pergunta que Cecily, rindo. Ele é o que faz o solo. No círculo é o que mais se acha. Me simpatizo com ele, mas não contaria segredos para ele, nunca.
 - Agora não. - falei, me jogando na cadeira vazia, que, felizmente, ou não, estava do lado de Bernardo. Sorri e ele virou o rosto. Estava com um copo vazio na mão. Tentei não me importar. Ele NUNCA bebia. 
 Vi uma silhueta se esquivar dos corpos dançantes. Ele. O cara da bateria. O cara que tomou meu coração. O cara que até hoje eu me decaía por ele. 
 - E aí Chuck. - falei. Ele bateu na minha mão e abaixou para dar um beijo no alto da minha cabeça. Pegou uma cadeira e se sentou ao meu lado, colocando seu braço sobre o meu ombro.
 Colocaram bebidas para nós. E eu, feliz, virei o copo rapidamente, queimando a garganta. Azar. Minha cabeça girou um pouco e uma leveza tomou-me conta.
 - É. - saiu, sem perceber. Joguei o copo, quase fazendo-o cair e me recostei na cadeira. Não sairia dali até aquilo parar.

14/11/2010

Mais uma música - Parte 2

...
 Avistei Bernardo vim ao meu encontro, com um sorriso estampado no rosto e... ao mesmo tempo vinha Fernando a guitarra sobressaia de seu ombro. Ai meu Deus. Sorri para os dois e fechei o zíper da blusa, apesar do calor. Cleber já previa o que viria, pigarreou e se esgueirou rapidamente pela porta ao lado, deixando entrar algumas rajadas de vento que amenizaram os filetes de suor que escorria em meu pescoço.
 - Pensei em pegar as baquetas como lembrança. - disse Fernando, jogando-se em meu rosto, fazendo o beijo em minha bochecha estalar alto. Enrubesci. Ele retirou a guitarra das costas e me observou. Eu vi Bernardo olhar para mim e para Fernando alternativamente, como se perguntasse se era possível se intrometer. Sim ,eu queria dizer.
 - Selena, está me escutando? - é, é meu nome... Estiquei o pescoço, tentando outra vez ver Bernardo, mas ele já estava voltando com passos largos de onde viera. Nenhuma vez olhou para trás.
 - Obrigada Fernando. - disse, estendendo a mão para alcançar as baquetas. Ele puxou-me e com apenas um braço me envolveu. Eu senti seu suor junto ao meu. Senti vontade de empurrá-lo com toda força, não só ali, mas da minha vida. Agarrei minha raiva e levemente o empurrei.
 - Então. Você vai para casa agora? - ele me arrostou de cima a baixo e outra vez enrubesci.
 Fernando me causava calafrios. Seus dedos longos eram descomunais com seu corpo cheio de músuclos que, podiam até chamar atenção, mas me assustavam. Seu rosto era fino e de feições delicadas e ao mesmo tempo mascula, era isso que ainda me fazia falar com ele. Sorri.
 - Não. Eu vou... ficar mais um pouco. - disse, ele pareceu decepcionado e com um sorriso de lado, pegou sua guitarra, se despedindo. Ainda fiquei ali, esperando que, como sempre, ele voltasse, mas não voltou. Guardei as baquetas na mochila que estavam no chão aos meus pés e marchei para festa.
...


13/11/2010

Mais uma música

 Peguei meu casaco jeans. Amarrei rapidamente meu all star roxo. Fechei o zíper da blusa de couro. Limpei os resquícios da maquiagem em meu rosto. Verifiquei a calça skinni e sorri. Entrei na festa e procurei meus amigos.
 Eles já estavam afinando as guitarras e o baixo. Outro, já batucava na bateria.
 - Tudo preparado? - perguntei, ajustando o microfone e testando. Sorri para Bernardo que estava em uma mesa no meio do salão da festa.
 - Se concentra. - falou Fernando, mordendo de leve minha orelha.
 Apresentei-nos. Falei que éramos só um bando de amigos inprovisando no som e que nossa "banda" não tinha nome.
 A melodia entrou na minha alma, envolvendo-me numa atmosfera própria. Balancei o corpo no ritmo e cantei a música que meu coração gritava.
 Com os sons, no ritmo intenso, não vi nada, só ouvi e senti a música.

 40 minutos depois...
 Meus pés doiam. O zíper da blusa estava aberto até a metade. O suor escorria, ensopando meu sutiã a mostra. Não sabia onde se encontrava meu casaco.
 - Você foi ótima. - disse Cleber, me entregando as palhetas usadas na apresentação. Guardei no bolso da calça.
 - Obrigada. - eu disse, ajustando o nó em meu cabelo.
...