Mostrando postagens com marcador Estranha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estranha. Mostrar todas as postagens

01/09/2010

Estranha [PARTE FINAL(?)]




 - Melhor dizendo, falar uma coisa.- ele disse, piscando freneticamente de um jeito irritante.Passa a mão em seu cabelo, aquele cabelo preto azulado.
- Sil. Quando tínhamos sete anos, que fizemos isso - ele mostra a cicatriz em sua mão -. eu levei na brincadeira, mas ao passar dos anos eu sentia seu sangue, figurativamente, crescer dentro de mim. Com 11 anos, quando dei meu primeiro beijo, eu queria que tivesse sido com você - ele cora outra vez e volta seu olhar pra mim- , mas eu ignorei tudo isso...até ontem. Eu menti pra mim durante esses anos, falava que era porque éramos muito ligados, mas eu vi a cada dia seu sangue pulsar em meu coração. - ele solta um pigarro - Eu nunca me apaixonei. Só por você... O-o que eu quero dizer é que... eu te amo desde os meus sete anos e quando eu olho essa cicatriz - ele aponta para ela - eu me lembro de você, eu lembro que existe uma parte de você em mim.
 Ele abaixa seus olhos. Arfo e meu coração bate de uma maneira eloquente. Eu queria abracá-lo, dizer que tudo que ele dissera era lindo e que eu também sentia seu sangue, figurativamente, em mim. Eu queria... eu posso fazer isso. Limpo a garganta e falo.
- Jon, todos os...ahn... três beijos de verdade que eu dei na vida, foi em você que eu pensei e pra falar a verdade, eu achei aquilo louco, por que eu deveria pensar em você?! Hm, mas eu também amo você, da mesma forma, talvez eu venha mentindo pra mim sobre isso... eu também te amo.- o envolvo em meus braços e por um segundo seus lábios tocam o meu pescoço...

MORAL(?):  Não importa qual seja sua raça, religião, etnia, cor, cultura, etc. Você é alguém e todo alguém merece ser amado e visto como um ser humano. "Nada é impossível, basta querer."

P.S.¹ Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência .
P.S² Quer que essa história continue? Gostou do final ou esperava mais? Deixe seus comentários. 


28/08/2010

Estranha [PARTE IV]

 Esperei o Jones fora da escola. Meus amigos me cumprimentaram, mas não fizeram questão de ficar perto de mim ou me abraçar como de costume. Uma dor surgiu em meu peito ao lembrar das últimas palavras de Jennifer:
"...GAROTAS podem ficar sossegadas, porque NENHUM garoto vai se interessar por uma aberração como essa. Ups. Desculpa por esbarrar em você. Tchau."
 Me seguro para não chorar.Como em confirmação com Jennifer, um garoto joga uma bola de papel na minha cabeça.
- Ei, fantasma. -sua risada rouca é como uma faca dentro de mim, me seguro ainda mais para não chorar e nem encarar, seja quem for.
- Cara, se toca. Fantasmas não são feitos de carne e osso. Se não percebeu, ela respira isso diz que não está morta, é HUMANA e isso diz que ela é feita de carne e osso. - Algumas risadas ao longe, cessam a risada rouca. - Sil tudo bem? - pergunta Jones.
- Sim, tô bem.
Ele olha ao redor como se certificando que aquele garoto já havia saído. 
- Podemos ir até a praça?
-Ahn. Claro, tudo bem.
 Fomos caminhando sem dizer nenhuma palavra. Nossos braços roçavam de vez em quando, e eu sentia uma energia estática.
- Então?...- pergunto, depois de um bom tempo sentados no banco da praça que ficava abaixo de uma macieira (já sofri um acidente ali. Três maçãs espancaram minha cabeça de oito anos, agora talvez seja mais forte[a minha cabeça], tenho 17 anos).
- Sabe. O que você disse no refeitório? - ele pergunta, e eu vi suas bochechas corarem. - Eu fiquei pensando naquilo.
- Sim? 
- Eu quero te pedir uma coisa.


continua ...

24/08/2010

Estranha [PARTE III ]

 Carol pergunta jogando um olhar de não-me-toque para mim.
- Só vim ver como a Sil estava. - ele diz sem olha para ela. Carol revira os olhos e estende sua mão para ele.
- Vamos. Já acabou todas as aulas.
- Eu não vou agora. -olha para ela.- Vou ficar com a Sil, até ela sair daqui.
 Carol é a ex-namorada de Jones, então minha ex-fingida-amiga.
 Vejo seu rosto ficar vermelho de raiva e calmamente responde. 
- Te vejo amanhã. - sem olhar para mim outra vez, ela marcha de volta.
- Não precisava ser tão rude. - falo.
- Ah. Qual é. Agora você vai defender ela?! Sil, vou ficar com você aqui.
 Fiquei apenas meia hora ainda lá, sentada. Jones foi me deixar em casa. O abracei e notei algo diferente. Ele estremeceu e seu coração acelerou. Eu pude sentir. Ainda pensei que fosse medo, mas não comentei isso com ele.
 O ruivo do meu cabelo cintilava sob o sol que se fazia naquela dia. Respirei fundo e adentrei a escola. Todos se desviavam de mim, tentando ao máximo não me tocar.
- Isso é um saco. - comento com Jones que mordiscava um sanduíche de presunto. Ri da expressão que fez com os olhos.
- Que foi?- ele perguntou depois de alguns minutos mastigando. Secretamente eu amava o Jones de uma maneira irracional. Era impossível ficar longe dele durante, hmm..três horas?! Bom, era assim o que eu sentia. Ele era importante pra mim. Sorri para ele que ainda esperava uma resposta.
- Nada. Só que, eu amo você. - eu disse, rindo, mas parei quando ele engasgou. - Jones você está bem?
- Você nunca disse isso. - ele disse, ainda um pouco sem fôlego. Empalideci (bom, nem tanto, já sou pálida mesmo).
- Ah...- foi a única coisa que saiu da minha garganta. Eu nunca tinha dito em voz alta só isso. Fiquei me perguntando o porquê...
- Posso conversar com você depois da aula?- pergunta. Levanta-se e percebo uma leve agitação em seus olhos.
- Claro. - respondo.

continua...

20/08/2010

Estranha [PARTE II ]

- Não, não é medo. É que... - percebo que ele engasga.
- EU NÃO SOU UMA DOENÇA AMBULANTE. -grito. Bruscamente me levanto. Ele agarra meu braço, fazendo com que eu não consiga avançar. E outras palavras que Jennifer falou, me atingem.
"...você é uma doença ambulante. Se faz de cega e não ver que até seus "amigos" tem medo de você..." 
Isso tudo só por causa de um empurrão não intencional, da parte dela.
- Não é isso Sil. Você não é isso. Pensei que...você estivesse me acusando.
- Ahn? - questiono em um tom confuso.
- Sabe, me acusando de ser um daqueles amigos que ela falou. - ele conclui. Reviro os olhos.
- Jones, você é meu irmão. Então aquilo não se aplica a você. - suspiro- Talvez seja verdade o que ela disse, nenhum amigo veio me procurar. - digo,sentando e fitando o céu outra vez, mas ele já estava escurecendo e não incomodava tanto meus olhos.
- Não sou seu irmão. - ele diz com uma cara emburrada.
- Amigos de sangue?! - olho pra ele, vendo sua expressão, as lágrimas já haviam cessado. Ele sorri se gabando e mostra a cicatriz na palma de sua mão.
- É, amigos de sangue.
- Então... irmãaos. - falo em meio aos risos. Empurro seu ombro.
- Não Sil.- ele diz, sério. Pega minha mão que tinha a mesma cicatriz que a dele. - Amigos.- e aperta de leve meus dedos antes de soltá-la.
-OK... Obrigada. Por... é, vim me procurar.
- Tudo bem.- ele sorri pra mim, levantando um canto da boca mais que a outra.
- Jones o que você está fazendo aqui?


continua ...

18/08/2010

Estranha [PARTE I ]

O céu estava um azul bebê e ele machucava meus olhos, apesar do sol não está próximo para eu ver, isso me acalmou um pouco. Eu odiava o sol. Meus olhos sensíveis eram um tormento para mim, não só isso, mas minha pele, meu cabelo, apesar de esse eu tingir sempre que podia. Usava sempre máscara colorida nos cílios, porque se não parecia uma estranha sem cílios.
Abracei meus joelhos. Aquela humilhação que tive, foi a pior de todas. Eu tentava me misturar, parecer "normal", mas ainda assim existia preconceituosos.
Algumas lágrimas caíram quando me lembrei do que Jennifer disse, enterrei meu rosto em meus joelhos.
"Você. Silvana. Você é uma idiota albina, anormal. Porque ainda tenta ser normal? Você nunca vai ser. E esses seus óculos rídiculos. Sua maldita ..." 
Algumas pessoas até zoavam comigo, mas eu levava na boa, a maioria. Só que o que a Jennifer falou, me magoara profundamente.
- Você não devia escutar o que ela diz. Sil, você não deiva ficar assim. - Jones falou, saindo de algum lugar. Ele acaricia meus braços. Levanto a cabeça. Tudo parecia um borrão por causa das lágrimas que ainda saíam.
- Você não ouviu o que ela disse por último? Eu podia aguentar tudo, menos aquilo. - ele retrai as mãos. Com medo?! Engoli o novo nó que se formava em minha garganta.
- Jones, você está com medo de mim?

continua ...