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12/10/2010

- Por acreditar . [Parte Extra]

 Para entender, leia antes Por acreditar .

     Ficamos parados, nos olhando, sem dizer nada. Então ele me abraçou. E eu senti a ânsia que cada dia me consome, me tirando o sono, vagarosamente tentei encostar meus lábios no dele, mas ele me afastou.
 - Seus olhos. - disse. Me recompus, já me condenando por aquilo que estávamos fazendo, de novo.
 - É disso que eu falo. De nosso auto-controle. Você sabe que isso é difícil.
 - Vamos, já estão voltando. - então ele me pegou pelo braço e tudo que eu vi foi um branco, quando estava de pé vi o colégio há uma distância de um quilômetro.
 - Não sei pra que tudo isso. Vão sentir minha falta. - eu disse, com cara emburrada.
 - Agora você é minha. - ele disse, sorrindo. E eu vi nosso fio de desejo se mesclar, ele e eu, estávamos perdidos nos desejos um do outro, o proibido e perigoso e o certo.
    Seus olhos escureceram, e eu tenho certeza como os meus ficaram claros. Fiquei perdida em seus braços e lábios, eu sentia a vida dentro da minha boca. Quem disse que vampiro não tem alma? Meu Andrey tinha.
 - Katrina. - ele disse, ofegante. Eu percebi como estava mais pálido que de costume.
 - Desculpe. Me empolguei. - falei, retirando delicadamente seus braços do abraço que estávamos envolto.
 - Preciso me alimentar. - fiquei paralisada. Ele precisava de sangue. Ele nunca tinha provado do meu sangue, o que ele causaria nele. Se eu posso me controlar, ele não podia? Ofereci meu pulso, ele hesitou e encarou meus olhos cheios de esperança. Se eu podia me alimentar por ele, por que não ele por mim? Deviamos ter pensado assim, muito tempo antes.
   Quando seus caninos perfuraram minha pele, eu não senti dor, senti prazer, eu deseja, ansiava que ele continuasse. Não sabia que aquele ato era assim, em si.
 - Desculpe. Me empolguei. - ele repetiu as mesmas palavras minhas. Rimos juntos. Cobri meu pulso.
 - Tenho que ir pra escola.
 - Pra quê? Você sabe que não precisa. - ele disse, já me encurralando em seus braços.
 - Preciso manter as aparências.
 - Eu também. Agora, vamos nos ver todos os dias...e noites. - ele disse, brincando com meu cabelo. Éramos da mesma altura, assim eu podia encarar de frente seus olhos, eles estavam mais vivos, mais alegres.
 - Como você conseguiu cumprir a promessa? Bom, pelo menos por seis meses.
 - Eu me lembrava de você. Do perigo que você descrevia que teríamos juntos. - bufou, balançando a cabeça. - E olha só, nem precisávamos disso. Temos tudo um do outro. Você e eu.
 - Eu não vou viver pra sempre. - falei, enroscando seu pescoço.
 - Eu sei. Mas enquanto você estiver aqui, eu vou estar com você. E quando você partir, eu partirei. Não me importo com a aparência que terá. Você será sempre você. Minha Katrina. Eu te amo. - lágrimas teimavam em querer transbordar. Toda a delicadeza da declaração de Andrey, atingiram meu âmago. Recostei minha testa na dele. E sussurrei.
- Eu também te amo. Não me importo a aparência que sempre terá, enquanto eu mudar. Você será meu. Você será sempre você. - fiz das palavras dele, a minha. Sorrimos e outra vez nos beijamos. O auto-controle foi mútuo.
 - Agora, temos que voltar pra escola. - eu disse, já caminhando na direção da escola.
 - Sempre. - ele terminou, nos olhamos e outra vez o que vi, foi um branco e já estava na escola. Ele do meu lado, piscou e saiu. Ele seria meu, outra vez, e dessa vez pra sempre.



-
( Eu não sei muito sobre Sucubus, mas espero que entendam a forma como eu a criei aqui. Obrigada aqueles que leem. Opinem. E me digam o que acharam? Nota da autora: Vampiros me fazem sorrir *-* . Beijos.)

07/10/2010

- Por acreditar .

 Estudar não é muito excitante, principalmente na minha escola. É chato e barulhento, logo eu, que amo o silêncio, amo sorrisos e a calmaria.
- Parece irritada hoje. - disse Melannie, minha melhor amiga.
- Sempre estou. - disse, praticamente gritando por causa do barulho. Olhei ao redor procurando algum lugar tranquilo. Nada. Os professores não mandam mais em nada aqui, os alunos são donos e eu vivo irritada, como não deveria?
- Sabe que pode ir embora. - ela diz.
- Seria uma boa, se eu soubesse o que dizer a minha mãe quando chegasse em casa. - sorri pra ela. E me sentei na carteira da frente, apesar de amar sentar atrás, lá o som absurdo seria pior.
- Bom dia. - um homem fala, e a sua resposta todos se calam, olho maravilhada para sala. Sim, estavam admirando ele, a beleza estonteante, seus cabelos lisos jogados para trás, seus olhos azuis, suas feições finas, seus lábios marcantes, seu corpo...perfeito. Também admirei sua beleza. Ele sorriu para classe.
- Sou o novo professor de português. Me chamo Andrey. Agora por favor quero que formem um círculo. - todos o obedeceram, eu demorei um pouco, observando-o mais atentamente, ele tinha uma cicatriz que atravessava sua sombrancelha chegando próximo ao olho, de repente ele me olha, e eu volto a realidade, pisco os olhos e me junto ao círculo.
- Não precisava babar tanto. - sussurrou Melannie. Ah, a próposito, me chamo Katrina, é meio esquisito meu nome, mas eu acho ele bem legal. Olhei para ela de um jeito torto, recriminando-a pela observação. - Desculpa. - disse e se voltou pra sua carteira.
- Bom quero que todos se apresentem. - não, impossível. Não iria fazer isso. Não conseguiria falar. Todos me odeiam, sou chamada de dedo podre, por sempre caboetar algo errado. Tentei me enterrar na carteira. Todos se apresentavam, nome, idade, onde mora, do que gosta,etc. Estava temendo minha vez. Quando chegou, fingi não ter escutado, fiquei olhando para o zíper do meu casaco.
- Katrina, esperamos você. - disse Andrey. Me arrepiei e como um baque, falei rapidamente tudo que perguntavam sobre mim. Quando terminou, simplesmente encarei os olhos de Andrey, parecia se desfocar, o azul ia e vinha, ficando claro e escuro. Balancei a cabeça.
- Você fica. - Andrey disse. Enquanto todos saiam da sala para a hora do intervalo. Eu tinha que esperá-lo, ficar só com ele não diminuia o nervosismo.
- Sim? - perguntei. Então ele me olhou. Me olhou mesmo, quero dizer, cada detalhe, me senti envergonhada e muito muito pequena.
- Você continua linda. - disse, e meus pensamentos se embaralharam. Ele me conhecia, mas eu não o conhecia. Sorri e dei um passo para trás.
- Obrigada, mas eu não conheço você. - apesar de dever estar com medo, quando ele avançou, diminuindo o espaço entre nós, eu não me retrai, esperei seu toque. Suas mãos deslizaram sobre meu rosto, delicadamente. E imagens surgiam em minha mente. Lembranças? Eu ouvia meus pensamentos. Era esquisito. Me afastei.
- O-o que foi isso? - perguntei, já pronta pra correr porta a fora.
- Você me conhece sim. - ele disse e novamente se aproximou e me beijou. Um beijo forte e mais imagens surgiam em minha mente. Nós dois, rindo, conversando, beijando, viajando, correndo...muito rápido. O empurrei. Tudo tinha voltado, eu lembrava dele. Meu amor.
Ela o teria, mesmo que isso a matasse. Mesmo que matasse os dois, ele seria dela . - ele recitou, e me lembrei que aquilo era parte de algum diário esquecido. Meus sentimentos afloraram. Eu me senti viva e ao mesmo tempo sabia que corria perigo no exato momento em que ele voltou e me mostrou tudo outra vez. Mais uma vez.
- Você não devia ter feito isso. Você sabe que é perigoso para nós dois estarmos juntos. - falei e encarei o chão. Não queria olhar aqueles olhos de quem eu tanto amava, de quem eu tanto temia pela vida.
- Mas eu queria ver você. É difícil sem você. Tudo. Você sabe o que você é e eu sei que é difícil pra você. - me virei, todas as lembranças das mortes que causei me acusaram,me apontaram. Eu e ele juntos era perigoso. Eu era uma súcuba. Não posso amar. Ele e um vampiro.
- Eu te amo. - ele disse.
- Vá embora. Antes que seja tarde pra nós dois.
- Prefiro morrer à não poder tocá-la, à não poder vê-la,à não saber que me ama...Você me ama, não é? - suspirei.
- Sim, amo você. 
- Então, é tudo que eu quero.





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