11/03/2011

With me?

 - Porque eu sou uma cigana, você quer vir comigo? - perguntei atrapalhadamente ao passante que me admirava e perguntava o que eu estava fazendo.
 - Oh! Nunca conheci uma cigana. - ele falou, arregalando aqueles olhos puros. E eu sorri em meio aquilo tudo, nunca havia feito um pedido desses.

 - Eu ainda sou uma cigana, Ferderick, e você não quer vir mais comigo.
 - Depois de tantos anos Jamylle, supri meu desejo de sair por aí, sem ter um local fixo, vivendo intensamente, dançando loucamente. Aprendendo com você, mas Jamylle, eu quero uma família, uma casa, um emprego, uma tv, um carro para poder deixar meus filhos na escola, não posso mais viver assim com você.
 - Você me ama? - perguntei.
 - Como nunca amei alguém. - ele respondeu e deslizou seus dedos marcados sobre a maçã em meu rosto, dando-me um beijo e se virou, seguindo seu caminho para mais uma vida, outra vida sem mim.

 Passara-se mais alguns anos, voltei ao mesmo lugar que tudo começou, e inesperadamente em uma noite, vi seu gingado, um celular na mão e na outra uma pasta, estava preocupado. Corri em sua direção, fazendo-o pular com o susto, depois suas feições se suavizaram.
 - O que faz aqui? - perguntou, enquanto guardava o celular no bolso.
 - Bom... - não tive tempo de começar, seu celular tocou, ele retirou do bolso olhou para tela e o recolocou no bolso.
 - Eu sei, você é uma cigana. - ele abre um sorriso convidativo. Eu queria abraçá-lo, pois depois de anos eu ainda o amava ardentemente.
 - Ferderick. Como vai a vida? - pergunto, temendo sua resposta.
 - Vou bem, cansado, tenho um emprego, um carro, uma casa, uma tv... - e seus olhos se voltaram para os meus. - só não tenho uma família. - enrubesci.
 - Sinto muito. - respondi.
 - Mas, sabe, você pode me fazer a mesma pergunta que nos encontramos um dia. - ele pede e outro sorriso invade seus lábios.
 - Eu sou uma cigana, você quer vir comigo? - perguntei.
 - Não foi bem assim, mas. - me tomando nos braços.  - Eu desejo passar o resto da minha vida ao seu lado, por todos os lugares, onde quiser estar eu estarei. Porque eu também me tornei um cigano no momento em que você entrou na minha vida. - falando isso, me beijou e toda a saudade que estava adormecida se evaporou, trazendo de novo, aquele tremor em meu estomâgo toda vez que estava próxima a ele.
 -  Eu o amo. - conclui.

Pauta para a Edição Musical , projeto Bloínquês
Nota: 9, 87 - 3° lugar

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