21/06/2011

Verdade ilícita - pt. 6

  ♦ Filiphi

Sally estava com seu uniforme manchado de café, mesmo que naquela hora que eu a encarei estivesse bebendo um chá...ou aquilo seria sangue? Ela me pergunta por quanto tempo agirei assim,respondo.
- Eu não sei Sally, eu não sei. - e aqueles olhos me encaram, suspiro forte. - Você continua linda. - falo. E uma nostalgia nos atinge, eu sei bem isso, pois vejo o desfoco nos olhos dela. Cenas e mais cenas se passam, séculos, anos. 
 Alguém entra na sala e rapidamente saio.
 Não, eu não sou bom, não tenho paciência ou afeição, minhas vítimas me encaram como um cachorrinho abandonado, mas eu não sinto pena ou agonia por eles, eu apenas faço o que tem que ser feito. Eu morreria se fosse por mim, mas eu também a mataria, e pensar nisso dói. Só ela me dói tanto assim.
 Os anos passaram-se, me tornei cruel, frio e masoquista na maioria das vezes, sempre que eu ia atrás de Sally, o mundo parecia um lugar melhor.
Fim do século XX, estamos nos arrumando para uma festa, de não sei bem o que, parecia ser da sua formatura...mais uma vez. Ela me olhava, sorrindo, deixando suas bochechas coradas, o mundo parecia rodar e se perder por um instante. E tudo para, ela, o tempo, menos eu...
- Você sabe o que fazer. - alguém sussurra em meu ouvido e tudo volta, a respiração dela agitada, o falatório, as roupas escuras e uma mancha de sangue no chão...
- Pare, Fil. - ela sussurra baixo para que ninguém escute, seu dedos da mão estão ficando cada vez mais roxo, o aperto do meu braço no seu pulso, pareceu quebrar algum osso, ainda caia sangue e aquele cheiro de tempos em tempos me enfeitiçavam. - Pare. - ela repete, meu olhar está grudado em seu pulso e então...ela me empurra. 
- Vá embora e nunca mais apareça. - ela diz e conclui com um chute em minha canela. Seu salto alto vermelho se contrastando com aquelas roupas pesadas. Ela. 
- Que estúpido eu sou. - digo. - Irei procurar esse tal Júnior...

1 deixaram-me mais motivos para sussurrar:

Nina Auras disse...

"- Eu não sei Sally, eu não sei. - e aqueles olhos me encaram, suspiro forte. - Você continua linda. - falo. E uma nostalgia nos atinge, eu sei bem isso, pois vejo o desfoco nos olhos dela. Cenas e mais cenas se passam, séculos, anos.
Alguém entra na sala e rapidamente saio."

Deus do céu. Como não tenho criatividade para comentar, vou simplesmente "colar" ali a minha parte favorita dessa parte (ok, confuso, não?) e dizer que espero uma continuação já, já!

Um beijo.