09/01/2011

E no final?

 E daqui eu vejo, você e ela. Daqui eu consigo ver, você e elas.
 E eu finjo não me importar, finjo não ver. Mas a cada novo olhar, eu vejo um beijo, um sorriso, risos. Você e elas. Onde eu fico nisso tudo? 
 Quando estamos só você e eu é como se não existisse mais ninguém. Você finge isso também?
  E então tudo muda de repente. Você brinca, sorri, morde, abraça, agarra, me esquece.
 Ciúmes? Um pouco. Um pouco de tudo. Eu sinto como se fosse te perder. Eu sinto como se você não estivesse lá. Porque aquele, não é o SEU EU que eu conheço.
 Você puxa meu braço, me chama pra um canto, pergunta o que tenho. E eu sempre respondo "nada". Nunca é nada, você nunca vai entender esse nada. Então seus olhos me olham, e tudo que eu reprimo dentro de mim, se choca, se quebra, quer explodir pra fora, mas eu me seguro, seguro-me tão forte que dói o peito.
 O que é isso agora? O que isso se transformou? O que é tudo isso? Eu não sentia, nem sabia que existia isso tudo. Faz um ano que eu tento decifrar o que se passa. Faz um ano que algo mudou, e cada vez que você ameaça desistir, sair, sumir, eu reprimo as lágrimas que afetam de maneira exagerada minha garganta. Eu recuo pra dentro de mim mesma, e sorrio. Aquele sorriso que você sempre vê. Não desconfia nada dele? Que tipo de espécie de amigos nós somos? Se nem sabemos mais de nada um do outro, nem sabemos decifrar as expressões faciais, corporais e de linguagem. 
 Me recuso a pedir que me esqueça, me recuso a dizer que tenho medo, que sofro, que choro, que escondo.      Me recuso a dizer que eu sinto algo por você, algo mais forte do que você já sabe. Mas somos melhores amigos, é o que tudo isso tenta dizer. É o que tentamos dizer. 
 Não joga na minha cara que você me conhece, se me conhecesse, pelo menos desconfiaria que algo anda estranho dentro de mim. Algo muito estranho.
 Preciso de um tempo pra mim. Mas, por favor, não invente de me esquecer. Os sons das tuas cordas vocais é um vício, não invente de tirá-lo de circulação pra mim, porque eu preciso dele. Preciso de você. 
 Me perdoa, me ame, não finja, escolha, reclame, chore, sorria, conte a verdade, seja sincero, sinta... O que você sente?
 Muito obrigada por existir, se ao menos soubesse que espero mais do que isso, pensaria no assunto.
 Acabo esta carta que nunca será entregue.
 Da melhor amiga, que finge não amar e nem sentir. E que esconde.



Um comentário:

Nati Pereira disse...

Essa carta tem que ser entregue urgentemente. Beijo