07/10/2010

- Por acreditar .

 Estudar não é muito excitante, principalmente na minha escola. É chato e barulhento, logo eu, que amo o silêncio, amo sorrisos e a calmaria.
- Parece irritada hoje. - disse Melannie, minha melhor amiga.
- Sempre estou. - disse, praticamente gritando por causa do barulho. Olhei ao redor procurando algum lugar tranquilo. Nada. Os professores não mandam mais em nada aqui, os alunos são donos e eu vivo irritada, como não deveria?
- Sabe que pode ir embora. - ela diz.
- Seria uma boa, se eu soubesse o que dizer a minha mãe quando chegasse em casa. - sorri pra ela. E me sentei na carteira da frente, apesar de amar sentar atrás, lá o som absurdo seria pior.
- Bom dia. - um homem fala, e a sua resposta todos se calam, olho maravilhada para sala. Sim, estavam admirando ele, a beleza estonteante, seus cabelos lisos jogados para trás, seus olhos azuis, suas feições finas, seus lábios marcantes, seu corpo...perfeito. Também admirei sua beleza. Ele sorriu para classe.
- Sou o novo professor de português. Me chamo Andrey. Agora por favor quero que formem um círculo. - todos o obedeceram, eu demorei um pouco, observando-o mais atentamente, ele tinha uma cicatriz que atravessava sua sombrancelha chegando próximo ao olho, de repente ele me olha, e eu volto a realidade, pisco os olhos e me junto ao círculo.
- Não precisava babar tanto. - sussurrou Melannie. Ah, a próposito, me chamo Katrina, é meio esquisito meu nome, mas eu acho ele bem legal. Olhei para ela de um jeito torto, recriminando-a pela observação. - Desculpa. - disse e se voltou pra sua carteira.
- Bom quero que todos se apresentem. - não, impossível. Não iria fazer isso. Não conseguiria falar. Todos me odeiam, sou chamada de dedo podre, por sempre caboetar algo errado. Tentei me enterrar na carteira. Todos se apresentavam, nome, idade, onde mora, do que gosta,etc. Estava temendo minha vez. Quando chegou, fingi não ter escutado, fiquei olhando para o zíper do meu casaco.
- Katrina, esperamos você. - disse Andrey. Me arrepiei e como um baque, falei rapidamente tudo que perguntavam sobre mim. Quando terminou, simplesmente encarei os olhos de Andrey, parecia se desfocar, o azul ia e vinha, ficando claro e escuro. Balancei a cabeça.
- Você fica. - Andrey disse. Enquanto todos saiam da sala para a hora do intervalo. Eu tinha que esperá-lo, ficar só com ele não diminuia o nervosismo.
- Sim? - perguntei. Então ele me olhou. Me olhou mesmo, quero dizer, cada detalhe, me senti envergonhada e muito muito pequena.
- Você continua linda. - disse, e meus pensamentos se embaralharam. Ele me conhecia, mas eu não o conhecia. Sorri e dei um passo para trás.
- Obrigada, mas eu não conheço você. - apesar de dever estar com medo, quando ele avançou, diminuindo o espaço entre nós, eu não me retrai, esperei seu toque. Suas mãos deslizaram sobre meu rosto, delicadamente. E imagens surgiam em minha mente. Lembranças? Eu ouvia meus pensamentos. Era esquisito. Me afastei.
- O-o que foi isso? - perguntei, já pronta pra correr porta a fora.
- Você me conhece sim. - ele disse e novamente se aproximou e me beijou. Um beijo forte e mais imagens surgiam em minha mente. Nós dois, rindo, conversando, beijando, viajando, correndo...muito rápido. O empurrei. Tudo tinha voltado, eu lembrava dele. Meu amor.
Ela o teria, mesmo que isso a matasse. Mesmo que matasse os dois, ele seria dela . - ele recitou, e me lembrei que aquilo era parte de algum diário esquecido. Meus sentimentos afloraram. Eu me senti viva e ao mesmo tempo sabia que corria perigo no exato momento em que ele voltou e me mostrou tudo outra vez. Mais uma vez.
- Você não devia ter feito isso. Você sabe que é perigoso para nós dois estarmos juntos. - falei e encarei o chão. Não queria olhar aqueles olhos de quem eu tanto amava, de quem eu tanto temia pela vida.
- Mas eu queria ver você. É difícil sem você. Tudo. Você sabe o que você é e eu sei que é difícil pra você. - me virei, todas as lembranças das mortes que causei me acusaram,me apontaram. Eu e ele juntos era perigoso. Eu era uma súcuba. Não posso amar. Ele e um vampiro.
- Eu te amo. - ele disse.
- Vá embora. Antes que seja tarde pra nós dois.
- Prefiro morrer à não poder tocá-la, à não poder vê-la,à não saber que me ama...Você me ama, não é? - suspirei.
- Sim, amo você. 
- Então, é tudo que eu quero.





P.S. Quer que eu continue essa história? deixe sua opinião. Agradeço desde já.

Nota: 8,16

2 deixaram-me mais motivos para sussurrar:

Juliane Bastos disse...

Nooooooooooooooooooossa *O*
incrivelmente perfeito garota, amei amei, eu tava esperando de tudo menos um final assim.
E É OBVIO, EU QUERO QUE CONTINUEEE \o

beijão, já sou seguidora aqui ;D

>> http://juliane-bastos.blogspot.com/

Elania disse...

Obg, pelo comentário, elogio e iniciativa. :)